O amor pessimista nos filmes de romance

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Blue Valentine (2010)
Quando pensamos em filmes do romance, prontamente nossa mente se enche das histórias da amor mais clichês possíveis, aquele amor idealizado onde o casal se conhece, algo os distancia mas eles logo encontram seu caminho de volta e vivem felizes para sempre. Tudo bem, no fundo a gente precisa de algo para aquecer o coração e nos fazem acreditar no amor mais bonito possível mas alguns filmes nos passam uma visão bem mais crua e sincera do que é o amor. 

Me lembro quando vi Namorados Para Sempre (2010) pela primeira vez. Fiquei horas refletindo sobre como a visão pessimista do amor parecia ser muito mais próxima da vida real. No longa o casal principal - Ryan Gosling e Michelle Williams - tenta se manter no casamento falido já que as memórias e os bons momentos que viveram juntos parecem importantes demais para serem deixados para trás. Mas é justamente pela quantidade de coisas que viveram e pela rotina que tudo acaba ruindo por completo. O filme é cru e sincero demais ao mostrar que muitas vezes a estabilidade pode não ser a melhor forma de se manter um namoro. Na tentativa de consertar e manter as coisas, o casal acaba se machucando e a cena final é silenciosa mas cheia de significados enquanto tenta nos mostrar que as vezes estamos tão atrelados aos sentimentos e ao momentos que esquecemos de notar se aquilo realmente está dando certo. 

Em alguns relacionamentos esse apego à memórias ou ao relacionamento em si pode acabar levando à solidão. É estranho se pensarmos em como alguém pode estar solitário mesmo tendo alguém mas isso acontece e é muito bem retratado em Encontros e Desencontros (2003) um clássico de Sofia Coppola. O filme mostra que além de nos sentirmos solitários em um relacionamento também pode ser assustador como a pessoa ao seu lado toma um rumo diferente do seu e as vidas estão seguindo separadamente. De um lado temos Charlotte (Scarlett Johansson) que está acompanhando o marido e se sente sozinha e confusa sobre o rumo que a relação está tomando e do outro lado temos Bob (Bill Murray), um homem mais velho em um casamento infeliz de 20 anos. 

Encontros e Desencontros (2003)
A vida dos dois se entrelaça entre os encontros e desencontros e eles se entendem dentro da melancolia e dos problemas parecidos em seus relacionamentos. Em uma alegoria com o título original Lost In Translation (Perdido na Tradução), o roteiro tenta nos mostrar como os protagonistas se sentem perdidos emocionalmente, principalmente com inserções de conversas em japonês - já que o filme de passa em Tóquio - enquanto os personagens não entendem o que as pessoas estão falando. Isso faz com que entendamos que eles estão perdidos não só em sua vida amorosa mas nas escolhas que fizeram e na vida como um todo. Enquanto eles estão em um caos completo, as coisas parecem se acalmar quando os protagonistas se encontram, isso fica claro em uma cena onde eles conseguem dormir depois de várias noites de insônia. 

Conversando diretamente com relacionamento fracassado e o fato de conhecer outras pessoas, Closer - Perto Demais (2004) também transita entre dois casais diferentes mas desta vez temos quatro visões diferentes. Dan e Alice (Jude Law e Natalie Portman) e Anna e Larry (Julia Roberts e Clive Owen) são casais que aparentemente levam a vida de forma muito concisa e estável. Todos ocupam cargos onde a compreensão espacial e pessoal se encaixam muito bem - stripper, fotógrafa, escritor e dermatologista - mas essa compreensão não parece ser o suficiente para que eles se sintam seguros dentro de um relacionamento. O filme fala sobre amor, insegurança, sentimentos primários e intensidade. A tentativa de levar uma relação honesta parece ser difícil demais para os casais e isso traz à tona discussões sobre os diferentes pontos de vista de traições e como elas parecem resultar em novas tentativas. O problema é que dentro das relações desta "pós-modernidade", os casais não conseguem ter seu ego abalado quando recebem informações demais sobre traições, as  vidas individuais de cada um durante separações e a quantidade exacerbada de sentimento. O egoísmo e a hipocrisia parecem render ao filme grande parte de suas cenas memoráveis. 

E falando sobre traições e consequências, em 2015 a Netflix produziu Seis Anos, um filme simples mas com uma carga emocional muito grande. É claro que o filme tem seu público alvo definido então talvez não toque todas as pessoas da mesma maneira. Um casal acaba de se formar e novas oportunidades aparecem, mesmo com seis anos de relacionamento, observamos como os caminhos diferentes parecem se tornar uma questão realmente importante. Depois que Dan (Ben Rosenfield) trai Mel (Taissa Farmiga), a visão de mundo dos dois parece mudar por completo e eles começam a perceber que querem viver coisas diferentes mesmo se amando se forma intensa. O filme tenta mostrar o peso da uma relação duradoura quando os dois são muito jovens e se vêem obrigados a pensar no futuro e perceber que talvez eles não fiquem juntos, afinal. Outro que tem o roteiro bem parecido é Loucamente Apaixonados. O casal se conhece, vive de maneira intensa mas as coisas mudam quando a garota precisa voltar para sua cidade natal, Londres, para continuar com a sua vida. Bem mais do que a mudança de vida esse filme também trata um pouco sobre a distância, sobre como outras pessoas influenciam - mesmo que indiretamente - o relacionamento e como certas coisas não podem ser consertadas. 

Loucamente Apaixonados (2011)
Se pudéssemos unir todos os aspectos desses filmes em um só, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004) seria um bom resumão. É claro que atualmente o filme é um clichê e dificilmente você ainda não assistiu mas é importantíssimo notar como o roteiro foi cuidadoso ao inserir situações reais de relacionamento ao imaginário de simplesmente apagar alguém de nossas memórias. “Eu não consigo me lembrar de nada que não tenha você” é definitivamente uma das frases mais fortes quando pensamos em términos, principalmente de relacionamentos longos. Em meio a flashbacks e o desespero emocional, Brilho Eterno nos mostra fases do relacionamento desde a idealização da pessoa até a despedida. E conseguimos ver uma semelhança com Closer ao percebermos que talvez, mesmo apagando a pessoa da sua vida, ela sempre vai acabar voltando para você. 

No final, todos esses filmes são sim melancólicos e até pessimistas em relação ao amor. Mas é isso que relacionamentos são, afinal. Nem sempre tudo vai dar certo, nem tudo é para sempre, idealizações geram decepções e despedidas são realmente terríveis. Se você ficar muito magoado com algum desses filmes, relaxa! A indústria cinematográfica se preocupou em produzir para você uma quantidade enorme de filmes que vão acalmar o seu coração e Nicholas Sparks não vai parar de escrever romances piegas para serem adaptados. Escolha a sua vertente romântica e me diz aí o que achou!

 Filmes Citados: 
Namorados Para Sempre (2010), Encontros e Desencontros (2003), Closer - Perto Demais (2004), Seis Anos (2015), Loucamente Apaixonados (2011) e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004). 

O amor pessimista nos filmes de romance O amor pessimista nos filmes de romance Reviewed by Bhárbara Andrade on junho 01, 2018 Rating: 5

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