Crítica | Love, Simon (2018)

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Chegou aos cinemas Com amor, Simon, filme baseado no livro Simon Vs. a Agenda Homo Sapiens de Becky Albertalli. O longa conta a história do adolescente Simon Spier (Nick Robinson), um garoto de 17 anos que - pelas palavras do próprio - leva uma vida comum, a não ser pelo fato de esconder um segredo, ninguém sabe que ele é gay. Antes de comentar qualquer outro aspecto do filme, a primeira coisa a ser ressaltada é que esta é uma obra de utilidade pública, vai além da sua função básica de entretenimento e presta um serviço social, o que já me deixa refém de elogios louváveis.

O enredo trata da jornada de Simon atrás de auto-aceitação para conseguir finalmente se assumir. Se você em algum momento da sua vida já teve de se forçar a ser quem não era, conhece a sensação de viver uma vida que não é sua, em especial a quem também é LGBT+! Todo esse processo começa desde quando nos questionamos sobre nossas vontades inerentes a aquilo que nunca chegamos a escolher e simplesmente somos. Entender que se é diferente da grande maioria das pessoas que vive em seu entorno e que ter urgências diferentes das dos seus pais, irmãos, amigos, é as vezes uma tarefa dolorosa e demorada.

O roteiro do filme trata do tema de uma forma real e leve, muitas vezes na vida o mundo não é tão acolhedor com o diferente, mas os receios de Simon são palpáveis. Me vi em muitas situações que o personagem teve de enfrentar, em especial com os dilemas internos, o medo de como a vida poderia passar a ser depois que se assume ser gay. Há uma cena específica, em que Martin (Logan Miller) diz a Simon que não sabia que as pessoas ainda eram tão intolerantes quanto a sexualidade. Este é um momento chave do filme já que estamos em 2018 e ser diferente ainda é uma questão em debate, o que preserva tabus, assuntos que já deveríamos ter tirado de letra anos atrás, afinal, conseguimos construir uma sociedade altamente tecnológica, mas ainda temos problemas em não criar um padrão e olhar torto para aqueles que não se encaixam nas nossas próprias definições de certo e errado.

Tecnicamente temos uma boa produção, um ótimo elenco, excelente trilha sonora que conta com músicas de Lady Gaga, The 1975 e Whitney Houston. Mas ainda assim, são notáveis alguns pontos previsíveis e pouco genéricos em seu roteiro, contando uma boa, a longo prazo, esquecível história, mas que cumpre com primor seu papel e faz deste um script bem amarrado, coeso, que resolve todos os seus conflitos, consegue se desenvolver bem e dar espaço a todos os personagens.

Acredito que desde a sua concepção como livro a intenção da história é ajudar, explicar e conscientizar. Acrescentando ainda que este é um filme família, trata dos seus temas de uma forma leve, sem grandes subterfúgios, com uma linguagem acessível e isso faz com que seja a chance de levar seus pais ao cinema, os amigos, seus avós, para dar à você o incentivo que falta para ser quem realmente é. Com amor, Simon está em cartaz nos cinemas de todo o país!

Nota: 4 | 5
Crítica | Love, Simon (2018) Crítica | Love, Simon (2018) Reviewed by Bhárbara Andrade on abril 06, 2018 Rating: 5

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