Crítica | The Post (2018)

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Um filme do Spielberg, com Meryl Streep e Tom Hanks como protagonistas, por si só, já é quase uma receita de sucesso, mas um roteiro redondinho, diálogos bem trabalhados e fluidos (apesar de rápidos, para um espectador desatento), além de um contexto muito interessante para as discussões que temos hoje em dia, sobre liberdade de impressa e mulheres no poder, são um tiro certo, desse que é um sério concorrente ao Oscar de melhor filme no próximo dia 04 de março.

A história gira em torno do vazamento de documentos secretos do Pentágono ocorrido em 1971, pelo ex-analista militar norte-americano, Daniel Ellsberg (Matthew Rhys), para diversos jornais, dentre eles o The Washington Post, que na época era comandado por Katharine Graham (Meryl Streep), em fase de adaptação por ter assumido o cargo do seu marido, após sua morte, e em meio a sua IPO (Initial Public Offering, que é quando uma empresa vende suas ações para o público pela primeira vez, geralmente para angariar fundos e financiar uma expansão), nesse momento delicado e que o jornal deveria ser mais discreto, correndo risco de perder financiadores já um pouco desacreditados com o fato de uma mulher estar gerenciando um grande jornal como editora e CEO (a primeira a estar nessa posição na história).

Os documentos vazados continham 7000 páginas de documentos expondo os anos de mentiras e futilidades que levaram os Estados Unidos a criar e sustentar a Guerra do Vietnã, onde morreram quase 60 mil americanos e foram feridos mais de 300 mil, basicamente por um confronto de ego em meio a disputa da guerra fria com a URSS. Começando com o New York Times publicando a primeira matéria sobre os vazamentos e sendo processada pelo governo, numa tentativa de bloquear a impressa de divulgar as informações, o Washington Post tinha ali uma decisão a tomar, continuar a divulgação de informações e lutar pela liberdade de imprensa ou esperar uma decisão judicial favorável e não arriscar perder seu financiamento.

Mas apesar de uma história aparentemente interessante, o longa tem uma primeira metade muito carregada e demora muito engatar na trama central, e o drama empregado na crise de consciência/ética, não conseguiu me cativar, apesar das ótima atuações de Bob Odenkirk e Tracy Letts, como Ben Bagdikian e Fritz Beebe respectivamente. É um bom filme biográfico e histórico, mas como Spotlight (2015), tem sua representatividade maior como registro e apresentação dos fatos a quem não os conhecia.
p.s.: No fim ainda temos um belo easter egg da história americana que mostra o acontecimento da invasão ao prédio de Watergate, fato que levou mais tarde a renúncia do então presidente Richard Nixon

 Nota:  8,0 | 10 
 Indicado pra quem gostou de:  Bridge of Spies (2015), Spotlight (2015), Lincoln (2012), Forrest Gump (1994), All the President's Men (1976).
Crítica | The Post (2018) Crítica | The Post (2018) Reviewed by Bhárbara Andrade on fevereiro 23, 2018 Rating: 5

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