Invocação do Mal: A franquia de terror que deu certo

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Invocação do Mal (2013)
Em 2013 James Wan se uniu a Chad e Carey Hayes e lançaram Invocação do Mal. O filme prometia trazer uma adaptação de uma história real que trazia o famoso casal Warren, que nós já falamos um pouco aqui, solucionando um problema familiar sobrenatural. Vamos lá, o filme tem uma fazenda afastada de tudo, potencialmente mal-assombrada, uma família tentando recomeçar e o famoso "baseado em fatos". Nada de original pode ser imaginado a partir daí se não fosse a direção de James Wan. O cara é diretor, roteirista e produtor de cinema. Responsável por filmes conhecidíssimos como Jogos Mortais (2014), Sobrenatural (2010), Velozes & Furiosos 7 (2015) e é o cara responsável por Aquaman, que tem estréia marcada para Dezembro/18. Nos últimos filmes James Wan se consolidou como um ótimo diretor de filmes de terror garantindo à Anabelle (2014) uma das maiores bilheterias do gênero de terror ficando atrás só de O Exorcista (1973).

No Brasil, Invocação do Mal atingiu mais de um milhão de pessoas. Quando analisamos o filme percebemos claros clichês de filmes de terror. A franquia acompanha o casal Warren com Ed (Patrick Wilson) e Lorraine (Vera Farmiga). Lorraine é médium, tem o dom de ver espíritos obsessores e consegue ter algumas premonições, como mostrado no filme 2. Já Ed é demonologista, ou seja, ele estuda demônios através de textos e pesquisas. A química do casal é muito bem montada, eles tem propósito em ajudar e a relação se torna quase palpável. Isso ocorre também com o casal que é ajudado pelos Warren no filme. A família Perron é constituída pela mãe, o pai e cinco filhas. Temos um recomeço fácil de entender, o diretor deixa claro que a família está tentando se encaixar e que há carinho e cuidado na relação entre eles.

Bem, ficou claro que a franquia segue uma história muito básica nos filmes de terror. Alguns recursos utilizados fazem com que o clima criado salve o longa de ser uma produção chata e comum. Os jump scare são usamos em pequenas medidas, sem irritar o espectador ou criar tensão demais. Na verdade a tensão é construída pelo silêncio, a utilização da câmera para criar uma atmosfera tensa. As imagens são muito explícitas, deixando a sugestão de lado e mostrando ao espectador tudo o que precisa ser visto. A dose de terror e alívio cômico são equilibradas para não gerar desconforto. De forma geral, Invocação do Mal estabelece muito bem as duas famílias, a presença de um sobrenatural explícito.

Invocação do Mal 2 (2016)
Já o segundo filme, Invocação do Mal 2 (2016), leva os fatos a 7 anos após o primeiro filme e segue a mesma ideia, casa mal-assombrada, família e o casal Warren para salvá-los do sobrenatural. Tudo baseado em fatos. Desta vez o filme é ainda mais explícito e o medo é muito mais palpável. São utilizados tracking shot, steadicam, whip pan e as transições de foco essenciais para que haja uma sugestão ao espectador sobre o que realmente está acontecendo. Os close-up são usados para mostrar de forma muito clara os monstros criados por James Wan. A relação do casal Warren é fortalecida, assim como a relação deles com a fé e com sua filha, antes nem sequer citada. Desta vez o foco é a fé e, como no primeiro, a relação familiar.

Madison Wolfe faz um papel fantástico como Janet, a garota onde a entidade se manifesta. O filme caminha bem mas o final é composto por um momento mediano. O confronto, onde finalmente amarramos a história, é entregue de forma quase decepcionante. Mas, o filme mantém o nível do primeiro e se mantém assustador sem ser desagradável. Para mim, Invocação do Mal (2013) é um pouco superior à sua sequência mas sem perder mérito algum. 

James Wan tem uma assinatura característica. Ele explora os ambientes, caminha entre as portas e estabelece muito bem onde os personagens estão para conseguir contar uma boa história. Principalmente uma história onde a casa é a real protagonista. A relação familiar é extremamente bem montada e o sobrenatural não se trata simplesmente de sustos ou questões religiosas. Wan explora os personagens, deixando pontos de sensibilidade em cada um e cria criaturas palpáveis mesmo se tratando do desconhecido. As referências de filmes fantasiosos dos anos 80/90 preenchem lacunas para gerar familiaridade. Invocação do Mal é uma franquia com suspense característico e é digna de todo o sucesso que produz. Prova disso é que Anabelle (2014) foi um sucesso e outros dois spin-off estão sendo feitos, A Freira (2018) e Homem Torto, ainda sem previsão de estréia. Verdade seja dita, James Wan é um dos poucos diretores que conseguem desenvolver o terror de forma tão bem feita e, mantendo o ritmo das produções anteriores, o futuro da franquia tende a ser um sucesso. 
Invocação do Mal: A franquia de terror que deu certo Invocação do Mal: A franquia de terror que deu certo Reviewed by Bhárbara Andrade on janeiro 19, 2018 Rating: 5

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