Crítica | O Destino de Uma Nação (2018)

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Dirigido por Joe Wright, responsável por adaptações clássicas como Orgulho e Preconceito (2006) e Desejo e Reparação (2007), chegou aos cinemas brasileiros O Destino de Uma Nação, ganhador do Globo de Ouro, SAG Awards e Critics' Awards. Com um total de 200 horas gastas em maquiagem, o longa é uma transformação do ator Gary Oldman e um retrato político onde acompanhamos Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. 

O filme é uma biografia do Churchill focado no momento específico em que ele se torna o primeiro ministro, logo no início da Segunda Guerra Mundial. Se você viu Dunkirk (2017) do Christopher Nolan vai notar que O Destino de Uma Nação mostra os bastidores do outro filme. Enquanto na produção de Nolan acompanhamos a guerra, aqui acompanhamos as decisões políticas do mesmo momento, a tentativa de lidar com a situação. O empasse acontece quando Churchill precisa decidir entre fazer um acordo com a Alemanha nazista ou ir para a guerra. Talvez pela temática, o filme tem um ritmo lento e não há um arco dramático muito grande. 

A fotografia do filme é muito rica. Apesar de ser um filme muito escuro - o que pode mudar a sua experiência em relação ao cinema em que você viu -, as ambientações são muito bem feitas e a pouca utilização de luz é muito bem trabalhada. Há utilização de luz vermelha, feixes de luz branca, quase assemelhando à um filme preto e branco pelas cores bem leves com saturação mínima. A direção de Joe Wright é eficiente, a elegância britânica já é o forte do diretor então ele consegue passar facilmente uma mensagem através dos enquadramentos utilizados com metáfora visual. 

Gary Oldman como na maioria dos seus trabalhos, está fantástico. Não é a primeira vez em que o ator se entrega e se transforma visualmente de forma perfeita. É até difícil conectar personagens anteriores de Oldman como Sirius Black na franquia Harry Potter (2004, 2005, 2007), Conde Drácula em Drácula de Bram Stoker (1992), Mason Verger em Hannibal (2001). Desta vez o ator está escondido em muita maquiagem e entrega um Winston Churchill cheio de trejeitos, sensacional. Os discursos são grandiosos e notáveis mas ainda assim não é possível ver o quão grande é a ameaça da Segunda Guerra. O foco em Churchill faz com que o grande fato em si se perca, a resolução é ainda mais previsível - levando em conta o fato do desfecho ser de conhecimento público. Isso faz com que os momentos íntimos que incluem Clementine (Kristin Scott Thomas) e o Rei Jorge VI (Ben Mendelsohn) se tornem mais empolgantes para a narrativa. 

O Destino de Uma Nação é tecnicamente impecável e conta com atuações fantásticas, detalhamento e maneirismos muito bem colocados. O Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme Dramático para Gary Oldman foi muito merecido com grandes de chances de levar o ator até o Oscar. É a grande chance de Oldman de levar como Melhor Ator. Aos fãs de filmes biográficos eis aí um prato cheio! 

 Nota:  3,5 / 5
Crítica | O Destino de Uma Nação (2018) Crítica | O Destino de Uma Nação (2018) Reviewed by Bhárbara Andrade on janeiro 22, 2018 Rating: 5

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