Crítica | Me Chame Pelo Seu Nome (2017)

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Cotadíssimo para indicações ao Oscar, Me Chame Pelo Seu Nome tem direção de Luca Guadagnino e é baseado no livro de mesmo nome de André Aciman que chega às livrarias brasileiras em 5 de janeiro. O longa acompanha Elio (Timothée Chalamet) que durante as férias com a família na Riviera Italiana, acaba se envolvendo com um dos convidados de seus pais, Oliver (Armie Hammer). 

Me Chame Pelo Seu Nome é sobre romance, distância e descoberta sexual. Os arquétipos bem definidos dos personagens fazem com que alguns clichês sejam inseridos na história mas isso não prejudica a narrativa. O personagem Elio é o garoto mais novo, descobrindo sua sexualidade e é responsável por trazer uma visão até mais inocente quanto ao romance. É na visão dele que acompanhamos o longa e tentamos entender seu núcleo, a garota que é apaixonada por ele, os amigos de férias, a família. Já Oliver é o convidado da família, mais velho e sedutor. No primeiro momento ficamos confusos quanto ao personagem mas assim que o longa avança entramos de cabeça na relação dos dois. Há uma identificação sutil com O Segredo de Brokeback Mountain (2005) e assim como Moonlight (2016), o longa tem grandes chances de ter destaque no Oscar este ano. 

Questões éticas do amor são tratadas. Me Chame Pelo Seu Nome é realmente sobre relacionamentos e não sobre aceitação da família. As cenas clichês de cunho sexual estão - como esperado - espalhadas pelo filme mas não são o ponto alto da história. Guadagnino sabe balancear as cenas eróticas com o romance e a rotina, nem de longe de assemelha à Azul É a Cor Mais Quente (2013). O foco no desenvolvimento da relação te deixa muito mais interessado e a empatia quanto aos personagens é muito maior. 

Mesmo com todos os pontos positivos, é difícil fugir da representação de casal homossexual em um filme de romance previsível. Talvez isso seja a maior prova de que há a necessidade real de inserir casais LGBT em outros filmes e em outro gêneros. Drama e romance são unanimidade quanto há o interesse em trazer representatividade mas pouco se vê sobre isso em filmes de ação, suspense e até terror. Mas desta vez o longa acerta em não criar um drama sobre aceitação. É perceptível que Elio é muito bem aceito na família, não há o medo da negação e o ambiente é amigável. Uma das cenas mais bonitas do filme é um diálogo entre Elio e seu pai. Memorável. 

A ambientação do filme é impecável. Os anos 80 são retratados de forma sutil, sem parecer forçar as aspectos. O figurino é muito bonito assim como a trilha sonora bem marcada. É possível perceber que a música acompanha a narrativa e vai se esvaindo com o decorrer do drama até praticamente sumir. Me Chame Pelo Seu Nome é um filme bem estruturado e com direção pontual. Os últimos minutos do filme são intensos e vale a pena esperar pela cena dos créditos chegar ao fim. Timothée consegue passar a dor do personagem em um corte final seco e bonito. O lançamento chega nos cinemas brasileiros em 18 de janeiro. 

 Nota:  3,5 / 5


Crítica | Me Chame Pelo Seu Nome (2017) Crítica | Me Chame Pelo Seu Nome (2017) Reviewed by Bhárbara Andrade on janeiro 10, 2018 Rating: 5

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