Crítica | A Forma da Água (2018)

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Com 13 indicações ao Oscar, Guilhermo del Toro consegue novamente atingir proporções incríveis com mais uma de suas histórias fantásticas. A Forma Da Água é a nova obra do diretor e desta vez acompanhamos Eliza (Sally Hawkins) uma zeladora muda que trabalha em um laboratório secreto do governo. Em um desses trabalhos secretos, Eliza conhece uma criatura com quem desenvolve um relacionamento. Parece estranho assim, não é? Mas com uma dose de cuidado de Guilhermo e tudo ficou tão bonito e sutil que o quando o filme chega ao fim, seu coração está aquecido e cheio de esperança. 

Falamos do Del Toro aqui no DPQS em uma análise sobre sua forma de fazer filmes. Eu citei um pouco sobre O Labirinto do Fauno (2006) onde as criaturas já eram visualmente incríveis e desta vez o cara mantém seu trabalho simplesmente impecável. O Homem Anfíbio (Doug Jones) é o escolhido da vez e a quantidade de detalhes na criatura é simplesmente absurda! Desde a textura da pele até a forma como ele reage ao tentar ajudar ou se conectar à outra pessoa, tudo tem um cuidado especial para o resultado visual final. Del Toro tem aqui o desafio de fazer funcionar um relacionamento entre Eliza e o Homem Anfíbio, algo que poderia acabar de forma desastrosa, principalmente pela falta de diálogos. Mas Sally Hawkins consegue usar todo o seu corpo para mostrar o que a personagem está sentindo, o que está pensando, o trabalho de expressão corporal dos atores é perfeito para que a história consiga se desenrolar bem. 


O contexto história é o começo dos anos 60, a Guerra Fria e o avanço científico da época. Não é atoa que as indicações de Oscar de Melhor Figurino e Oscar de Melhor Fotografia foram entregues ao filme. Os figurinos são característicos da década de 60 e a fotografia leva tons de azul e verde, quase como se quisesse acompanhar a anatomia do Homem Anfíbio. Há um senso do que é tóxico, de perigo ao mesmo tempo em que as cores se adaptam juntamente ao jogo de cores para passar uma ideia de conforto e segurança. Os cenários são detalhados e a estética se assemelha aos filmes noir. Tracking shots e transições verticais são utilizadas na tentativa de passar ao público uma visão sensível e sentimental dos enquadramentos. 

As atuações também levaram indicações, Sally Hawkins é indicada ao Oscar de Melhor Atriz, Richard Jenkins ao Oscar de Melhor Ator Codjuvante no papel de Giles, vizinho de Eliza e também Octavia Spencer no papel de Zelda, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Além dessas há também indicação por: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som, Melhor Direção de Arte. Ufa! A Forma Da Água já guarda uma marca de mais de 40 indicações em premiações. 

O filme é cuidadoso e encantador e, sem dúvidas, um filme de cenas. O trabalho visual entrega um resultado deslumbrante, daquele que realmente enche os olhos. O tom fantástico, a criatura e os ambientes mantém a ideia de fábula sempre muito bem trabalhada por Del Toro. O romance é equilibrado e bem montado dentro dos parâmetros possíveis. A junção da rotina, violência, sexo, nudez, elementos fantásticos e romance fazem de A Forma Da Água um filme bonito e gostoso de assistir. O longa estréia no Brasil no dia 1 de Fevereiro. 

 Nota:  4,5 | 5 
Crítica | A Forma da Água (2018) Crítica | A Forma da Água (2018) Reviewed by Bhárbara Andrade on janeiro 24, 2018 Rating: 5

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