Crítica | Eu, Tonya (2018)

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Se você nunca ouviu falar de Tonya Harding, se ajeita aí que esta é a hora. Tonya Maxene Harding é uma ex-patinadora artística e ex-boxeadora americana. Ela disputou por duas vezes os Jogos Olímpicos, foi campeã do campeonato nacional americano e conquistou a medalha de prata no Campeonato Mundial de 1991. Mas afinal, o que é que aconteceu de tão importante para que um filme fosse feito sobre a atleta? Tonya se envolveu em um dos maiores escândalos esportivos dos anos 90 quando foi suspeita de mandar quebrar perna de sua rival, Nancy Kerrigan

O filme é dirigido por Craig Gillespie e protagonizado por Margot Robbie como Tonya. Eu, Tonya usa depoimentos e quebra da quarta parede durante toda a narrativa, o que torna o longa menos massante ao contar os fatos. Há lapsos cômicos criados propositalmente para que o drama dos fatos não faça com que o filme se torne uma agonia constante para o espectador. Imagine um filme que te mostra drama familiar, agressões e uma carga emocional gigantesca durante quase duas horas sem quebrar os momentos com um pouco de comicidade? Seria difícil para o espectador acompanhar a história. Então a montagem é impecável ao tentar tornar a experiência a melhor possível. E é claro que isso torna os momentos dramáticos ainda mais importantes no decorrer dos minutos. 

O filme aborda também a influência midiática em cima de uma atleta. Como as coisas são mostradas, como realmente aconteceu, o resultado final de tudo e consequências. É nesse ponto que os depoimentos e a quebram a quarta parede se tornam tão importantes já que temos o ponto de vista de Tonya e também o ponto de vista das outras pessoas. Uma prova simples de que toda história tem duas versões e aqui, a ideia é criar uma dúvida de confiança em relação aos personagens. Afinal, quem é que está falando a verdade? Existe alguma verdade absoluta sobre tudo o que acontece? Os questionamentos montam o roteiro, que faz questão de deixar a atleta como uma pessoa humana. Defeitos, qualidades, dramas de vida e toda a carga dramática que alguém que passou por tudo o que Tonya passou pode ter. 

Margot Robbie se mostrou uma atriz fantástica em seu trabalho em Esquadrão Suicida (2016) - apesar do filme ter o resultado final que teve - e se reafirma ainda mais desta vez. Margot mostra uma Tonya arrogante, egocêntrica e ainda assim, carismática. Ela vai além da aparência e consegue passar os anseios e aspirações da atleta. Allison Janney interpreta a mãe de Tonya e levou um Globo de Ouro por Melhor Atriz Coadjuvante. Seu papel tem um tom caricato mas de forma geral, simples. Margot está indicada ao Oscar de Melhor Atriz e Allison como Melhor Atriz Coadjuvante. Além da indicação de Melhor Montagem

Há um jogo de câmeras com planos longos e cheios de movimentos colocados em slow motion para que o trabalho da atleta fosse bem observado e interpretado para o espectador. Ao mesmo tempo as cenas tem uma queda ao inserir o rosto de Margot por CGI no corpo da atleta na intenção de deixar os movimentos mais reais. Um deslize visual que pode deixar as cenas montadas demais. As cenas que poderiam ser plano sequências incríveis são quebradas por cortes estranhos para uma mudança de ângulo de Tonya, um trabalho de câmera falho quando notamos o resultado final. Ainda assim, Eu Tonya é uma boa obra biográfica e uma chance de conhecer melhor uma das maiores polêmicas dos anos 90. 

 Nota:  | 5
Crítica | Eu, Tonya (2018) Crítica | Eu, Tonya (2018) Reviewed by Bhárbara Andrade on janeiro 26, 2018 Rating: 5

Um comentário:

  1. Talvez o filme não seja o favorito nas categorias em que foi indicado ao Oscar, mas de qualquer maneira é impossível negar a qualidade acima da média que a obra consegue entregar. Quando leio que um filme será baseado em fatos reais, automaticamente chama a minha atenção, adoro ver como os adaptam para a tela grande. Tambem recomendo assistir Dunkirk, adorei este filme, é um dos melhores filmes baseadas em fatos reais 2017.A história é impactante, sempre falei que a realidade supera a ficção. É interessante ver um filme que está baseado em fatos reais, acho que são as melhores historias, porque não necessita da ficção para fazer uma boa produção.

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