Crítica | Lady Bird (2017)

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Com direção e roteiro de Greta Gerwig, Lady Bird tem gerado burburinho desde seu lançamento nos Estados Unidos. Com notas de 99% no Rotten Tomatoes e 94 no Metacritic, o longa conta a história de Christine e é um coming of age lindo e palpável. Christine se autodenomina Lady Bird - daí o nome do filme - e tem dezessete anos. Diferente do ambiente escolar onde vive, Lady Bird não é rica, tem problemas familiares e está tentando se encontrar, assim como a maioria de nós aos dezessete anos.

Eu já falei um pouco sobre filmes coming of age aqui no site mas se você não está familiarizado com o termo, são filmes sobre amadurecimento, sobre a mudança entre a adolescência para a fase adulta. Além disso, o filme foca na relação mãe e filha, ponto mais sensível do longa durante toda a descoberta de Lady Bird. O filme consegue nos passar uma visão realista das relações quando se tem dezessete anos. Brigas, descobertas, mentiras e o medo de ser deixado de lado por não se enquadrar no que aparentemente é o padrão. O olhar mais feminino deixa cada personagem ainda mais real e cheio de sentimentos.

Um dos pontos mais bonitos e bem elaborados é o relacionamento entre mãe e filha no filme. Os conflitos que essa relação costumam gerar estão retratados de forma tão real e sincera que é impossível não se identificar. Lady Bird faz parte dos típicos adolescentes que ao mesmo tempo em que transbordam sentimentos bons - como o perdão e a procura por agradar sempre ao outro -, consegue magoar de uma forma quase cruel. Durante as discussões com a mãe e até mesmo com a melhor amiga, ela sabe onde magoar e o outro lado também sabe como reagir a altura. As relação evidenciam a necessidade de querer ser aceito entre o grupo mais visível, de ao menos fazer parte de um grupo.

A direção de Greta é detalhista. A cidade escolhida para o filme foi Sacramento e a partir dos olhos de Greta conseguimos a necessidade de Lady Bird de querer sair dali e procurar outro lugar mas também entendemos o lado afetivo com o lugar. A trilha é sensacional dentro da ambientação dos anos 2000, e tem até Alanis Morissette e Justin Timberlake. É a primeira vez que vejo um trabalho tão bom da protagonista Saoirse Ronan, que consegue retratar perfeitamente uma adolescente de dezessete anos cheia de questionamentos. Não só Saoirse mas todo o elenco é pontual em suas atuações.

Por fim, Lady Bird merece todo o reconhecimento que está ganhando nos Estados Unidos. Sutil, bonito e sincero, o longa é um retrato fiel do que é o amadurecimento e seus pormenores. Sexo, família, religião, amigos e universidade. Todos os questionamentos mais difíceis para um adolescente estão lá prontos para serem mastigados para o telespectador. Me emocionei muito com as cenas entre pai e filha no filme, usadas como um equilíbrio. O filme só tem estréia no Brasil marcada para Fevereiro de 2018 e com certeza vai valer a espera!

 Nota:  4/5




Crítica | Lady Bird (2017) Crítica | Lady Bird (2017) Reviewed by Bhárbara Andrade on dezembro 29, 2017 Rating: 5

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