Princesa Diana, feminismo e amor


Produzido pela revista People e ABC, o documentário The Story of Diana exibido pela primeira vez em Agosto deste ano chegou à Netflix. 20 anos atrás morria Diana, Princesa de Gales, descrita no google como filantropa, mas conhecida no mundo inteiro por ter sido muito mais do que isso. O documentário passeia pela vida de Diana, desde seu nascimento e a curta relação que teve com a mãe até chegar aos seus netos. Não é sobre a família real que eu vou falar aqui e sim sobre a mulher que Diana foi e a importância de sua figura na história contemporânea. 

Eu me lembro de crescer ouvindo em casa sobre o quanto a Princesa Diana era uma mulher linda e obviamente conseguia entender isso já que em todas as fotos, tudo o que vemos é uma mulher impecável. Mas eu não sabia que havia tanta coisa importante por trás de toda aquela história monárquica. Quando Diana se casou com o Príncipe Charles, ela resolveu quebrar algumas regras ao não prometer obedecer o marido durante os votos além de derrubar regras sobre o casamento e sobre a vida do casal. Quando o primeiro filho nasceu, Diana recusou que seu filho fosse cuidado por outra pessoa e decidiu que faria tudo. Isso pode parecer uma simples obrigação em seu papel de mulher mas vai contra a maioria das regras da monarquia.

Vamos voltar rapidinho ao Príncipe Charles. Diana tinha 19 anos quando casou com o cara, completamente apaixonada e pronta para viver seu conto de fadas, literalmente. Mas as coisas não são bem assim nem mesmo para príncipes e princesas. Quando se casaram, Charles disse à Diana que ela estava com algumas gordurinhas a mais. Bem, imagine só, você acabou de se tornar princesa e todos os holofotes estão em você, ouvir que você está com alguns quilos a mais pode ser literalmente um pesadelo. Diana cresceu sem a figura da mãe, sem os conselhos, sem os ensinamentos do que pode ser um marido.
"As pessoas acham que só um homem pode satisfazer uma mulher no final do dia. Atualmente, a satisfação do trabalho é o que me faz bem."
A imprensa cresceu em Diana, a era dos paparazzi e da invasão de privacidade teve seu pontapé inicial e rolou a explosão dos tabloides, o início da televisão a cabo. A competição da mídia aumentou e as pessoas se tornaram produto, se tornaram dinheiro. Diana aprendeu a usar tudo isso a seu favor. Suas visitas à hospitais eram muito bem repercutidas e sua campanha sobre conscientização sobre HIV mudou o pensamento da época. Quebrando os protocolos Diana visitou hospitais sem luva ou qualquer aparato que dificultasse o contato direto. Isso fez com que a figura de uma mulher ativista se tornasse o referencial da época. Diana revolucionou a moda da época também. Além de ter sido responsável pelo corte de cabelo mais procurado da época, usou calças em um evento vespertino, sendo a primeira da monarquia a fazer tal feito assim como usar vestidos pretos à noite, antes deixados apenas para ocasiões de luto. Mas a imprensa nunca estava satisfeita e tudo se tornou invasivo demais.


Temos observado algumas decadências bem em frente aos nossos olhos com a mídia. Amy Winehouse, Britney Spears, Michael Jackson. Muito além de artistas, os nomes citados são de pessoas que tiveram câmeras colocadas de forma íntima demais em momentos difíceis. Você pode nem imaginar mas lá na década de 80/90, Diana sofreu com a mídia ao levar seus filhos à escola, ao ter conversas íntimas vazadas pelo jornal, ao ser obrigada a falar sobre sua relação com seu corpo ao perder quilos demais (você se lembra do que o Príncipe Charles disse, não é?).

Diana era uma mulher. Uma mulher bonita, vivendo o que talvez uma grande parte das mulheres idealize como um sonho. Assim como muitas mulheres ela viu seu casamento ruir, viu suas inseguranças e traumas serem utilizados contra ela, viu o sonho de uma família ser desfeito aos poucos. A decadência de seu casamento - que ela tentou sim salvar -, o amor de Charles que não existiu, a insegurança por saber que seu marido mantinha uma amante - o que era quase um direito naquela época depois que filhos foram dados pela mulher -, a bulimia e a depressão. "Ser princesa não é tudo isso que as pessoas pensam que é.". Diana era uma mulher como todas nós somos, os problemas da realeza na verdade eram os nossos problemas também. O conto de fadas não tem nada de diferente da nossa vida, afinal.
"Sabia qual era minha função: sair,  conhecer as pessoas  amá-las."
E mesmo assim, Diana conseguiu superar o casamento falido, declarando que estava se separando de Charles, algo que na época se tornou uma notícia surreal já que a separação era muito mal vista. "Havia três pessoas nesse casamento, por isso ficou um pouco apertado." A  mídia ainda era um animal selvagem mas ela sabia como domar e transformar em algo positivo. Diana queria ter um lugar representativo no mundo e foi isso que ela conseguiu. Assim como nós, mulheres, lutou para ser amada, respeitada. Lutou pelo direito de ser mulher, ativista. Pelo direito de ter uma família, privacidade, amor. Pelas lentes de teleobjetivas vimos Diana morrer em um acidente de carro em Paris durante uma perseguição de um paparazzi. Ela estava com o atual namorado, planos estavam sendo feitos, a vida tinha finalmente tomado outro rumo.

Charles não sabia onde estava se metendo quando escolheu uma garota mais nova por ser fácil de controlar. Diana era uma mulher além de seu tempo, uma mulher real, pronta para derrubar qualquer regra para que sua vida tivesse o rumo que sonhava. Diana foi uma das mulheres mais importantes do século XX e ainda é uma das figuras femininas mais fortes que temos. O que quero que você, mulher, entenda com este texto é que independente de quem você é, você pode ir atrás do que deseja na sua vida. Você TEM que fazer o que te faz feliz, sempre.


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