Netflix | Jogo Perigoso (2017)


É um ano e tanto para Stephen King! Depois do sucesso astronômico da adaptação de IT: A Coisa (2017, crítica aqui) e também A Torre Negra (2017), a Netflix adaptou mais um dos livros do escritor. O escolhido da vez foi Jogo Perigoso (Gerald´s Game) escrito em 1992.
Quando as brincadeiras sexuais do marido dão errado, Jessie, algemada a uma cama numa casa distante, encara visões alucinantes, segredos sombrios e uma escolha terrível.
Lançado pela Netflix no dia 29 de Setembro, Jogo Perigoso levou nota 6,9/10 na Imdb e devo admitir que por ser uma adaptação da plataforma - que caminha entre o extremo de acertar e errar - eu não esperava que fosse se tornar um filme tão interessante. Acompanhamos um casal em crise que vai para uma casa distante por ideia do marido para tentar salvar o casamento fazendo algo diferente. Gerald (Bruce Greenwood) prende a esposa Jessie (Carla Gugino) à cama por algemas e acaba infartando depois de tomar um viagra, deixando Jessie atada na cama. 

Dirigido por Mike Flanagan (Sono da Morte, Ouija 2), o longa parece ser uma história rasa mas assim como a maioria das narrativas de King, há uma mensagem por trás de tudo. O filme é conduzido muito bem por se tratar de uma única locação, os recursos visuais fazem com que o espectador entenda o que Jessie está vendo e qual a situação tanto da casa quanto do quarto em que ela está. O desespero é muito bem passado em enquadramentos onde vemos que, presa à cama, Jessie não consegue alcançar sequer um celular ou as chaves das algemas. 

Não tive a chance de ler livro mas creio que o ritmo foi um pouco acelerado para que o confinamento de Jessie não se tornasse massante. Com o tempo e a falta de comida, água e o desespero ao ver seu marido morto no chão do quarto com um cachorro selvagem mordendo-o, Jessie começa a ter alucinações, e é exatamente aí que é inserida a profundidade do filme. A mulher, presa à cama, vê seu marido morto levantar e começar a culpá-la pelo fracasso do casamento, por sua morte e ainda alucinando, vê sua consciência de materializar e começar a discutir com o que ela imagina ser o marido morto. Parece uma loucura, e realmente é, mas é nesta parte onde os diálogos de um casal infeliz e em crise mostra um filme com camadas e cheio de metáforas. 

Traumas, memórias, segredos e tudo o que o inconsciente guarda vêm à tona e mesmo com toda a simplicidade, nos colocamos no lugar de Jessie, o que nos deixa angustiados e inquietos. Ficamos confusos sobre o que estamos realmente vendo ou o que é simplesmente uma alucinação da personagem. Carla Gugino faz uma personagem fantástica, mostrando uma mulher insegura com uma mente precisa inconscientemente. O ponto negativo do filme são seus 15 minutos finais onde o espectador se vê um pouco decepcionado sobre o que realmente aconteceu. As metáforas são deixadas de lado e a representação real das coisas quebra um pouco a beleza do que aconteceu antes. Ainda assim, Jogo Perigoso é uma ótima adaptação da Netflix e vale a recomendação! 


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