Netflix | Gaga: Five Foot Two


Em 2008 surgiu no cenário pop uma figura controversa, extravagante e talentosa que se tornaria um dos maiores nomes da música no século XXI. Stefani Joanne Angelina Germanotta adotou o nome Lady Gaga e em menos de um ano já acumulava hits, premiações, recordes e polêmicas. 

No documentário Gaga: Five Foot Two lançado no dia 22 de setembro pela Netflix, fomos apresentados a uma Gaga diferente do que estávamos acostumados a ver. Aquela figura carregada de perucas e roupas chamativas dá lugar a uma mulher de 30 anos sensível, simples e com a saúde abalada. As filmagens, que se passam entre a produção do seu último álbum Joanne e a preparação para o show do intervalo do Super Ball de 2017, são feitas da maneira mais crua e realista possível. O diretor abriu mão de recursos cinematográficos mais elaborados em pró de cenas simples e intimistas.

Gaga é portadora de uma doença autoimune incurável chamada Lúpus Eritematoso Sistêmico. Nessa doença o corpo produz anticorpos contra suas próprias células. A doença é grave e necessita de acompanhamento médico frequente. Além do Lúpus, Gaga recentemente também foi diagnosticada com Fibromialgia, outra doença séria que causa fortes dores musculares. Essas crises de dor, inclusive, impediram que a cantora se apresentasse no Rock in Rio desse ano. Algumas cenas de Five Foot Two mostram o sofrimento de Gaga durante as crises. Crises essas que não respeitam horários, compromissos ou lugares. A cantora, em um dos momentos mais emocionantes do documentário, faz uma reflexão sobre como é difícil a vida de uma pessoa que não tem condições de receber um tratamento adequado para essas doenças. 

A produção do álbum Joanne também recebe grande destaque. O novo disco, totalmente diferente dos já lançados por Gaga, é o mais pessoal de sua carreira. Ali, nas letras e melodias, está a Stefani Germanotta totalmente desnuda, sem máscaras, exageros ou excessos. O documentário mostra a rotina de gravações das músicas e a relação de Lady Gaga com o produtor musical Mark Ronson. Ela refere que Ronson é um dos únicos homens em quem realmente confia. 

Essa nova era da cantora, muito mais clean, é distanciada das antigas numa das cenas mais marcantes dessa produção. Gaga está saindo de um estúdio com maquiagem simples, roupas comuns e sem peruca. Ao mesmo tempo que ela cumprimenta os fãs, aparecem flashbacks de imagens da antiga Gaga, com cabelos estranhos e figurinos chamativos, também cumprimentando os fãs. Nessa pequena sequência de cenas está a essência da mudança que ocorreu com a estrela do pop nos últimos anos. 

A preparação para o show no Super Ball recebe muita atenção do diretor. As reuniões com a comissão técnica, os ensaios, a escolha de figurino. Tudo foi filmado de perto. A ansiedade de Gaga com a apresentação está presente tanto nas suas palavras quanto no seu semblante. Na última cena do documentário, ela é levantada por cabos de aço para o teto do estádio antes da apresentação do Super Ball. Uma apresentação que iria relembrar diversos momentos de toda sua carreira musical. Em uma determinada cena, ela chega a dizer que a apresentação nesse evento é o ponto mais alto da carreira de uma cantora. 

Five Foot Two é o retrato da transformação de uma grande artista. O nome do documentário faz referência a altura de Lady Gaga que tem pouco mais de um metro e meio. Esse título contrasta a baixa estatura da cantora com seu extraordinário talento e força. Essas características, inclusive, perpassam toda sua carreira independente de qualquer vestimenta ou maquiagem. A voz, a personalidade, o engajamento e a versatilidade sempre estiveram lá, apesar de todas as mudanças apresentadas. Essa produção é um prato cheio não só para os seus fãs, mas para qualquer apreciador da música pop!


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