Review | 7ª temporada de Game Of Thrones



Como já é praxe no DPQS, com o fim de uma temporada de GoT, reunimos uma parte da equipe para uma review. A ideia é que assim, você leitor, possa ter mais de uma visão do que rolou e perceber como as opiniões podem divergir. Hoje a gente reuniu Caio Silveira, Gustavo Souza e Bhárbara Andrade para dar opiniões sobre o fim da 7ª temporada. Confere aí e deixa nos comentários quem tem a opinião mais parecida com a sua! Este post pode conter spoilers. 

 CAIO SILVEIRA 
Comecei a sétima temporada bem mais confiante, após a sexta ter se saído tão bem sem a base dos livros, mas me decepcionei bastante, nessa temporada que teve menos episódios que o normal, 7 em número e 8 se analisarmos tempo de exibição. E com dois episódios a menos, a velocidade da série tinha que aumentar, e esse é um dos pontos, não pelos fast travels, isso eu até entendo, o problema pra mim é a falta de desenvolvimento em momentos importantes e enrolação em picuinha besta como a da Arya e Sansa por exemplo(que apesar de maçante, teve uma conclusão digna), outra coisa que reinou pra mim essa temporada foi a falta de coerência no roteiro, cheio de decisões estupidas e sem sentido, como a viagem dos aliados da Daenerys para Dorne antes de cercar King’s Landing, sendo que poderiam ter feito isso antes, por Dorne ser caminho para Dragonstone, e a fatídica missão suicida que não preciso nem explanar mais sobre o quão idiota foi. Além disso, já tem um tempo que a série tem a necessidade absoluta de colocar Jon Snow em momentos de quase morte (cliffhanger), fato que além de chato, quanto resolvido com um simples deus ex machina (uma salvação que vem do nada), o roteiro perde bastante credibilidade, o Uncle Benjen cumpriu pela segunda vez esse papel e enfim morreu, enfim, porque essa estava sendo praticamente a função dele na série. Sinceramente, eu acho que a série tá virando uma novelinha, o que eu mais admirava na série era a certeza de que se você vacilasse ou fosse ingênuo demais, seria punido, normalmente com a morte, esse era o jogo, para ver entretenimento barato eu assisto Velozes e Furiosos, não Game of Thrones, é um universo muito bem trabalhado, pra gente só se contentar por tá vendo isso de qualquer jeito na TV, abre o olho Day e Dan!

Eu fiquei esperando que essa temporada seria desenvolvida para conseguir matar a Cersei e unir os povos em Winterfell para a grande guerra, como eles mesmo a chamam, mas não rolou, o que teve foi Jonerys, que deixou todo mundo agitado, para o bem e para o mal, não achei que o acontecido foi um mero fan service, mas se isso era uma coisa a tanto tempo esperada e planejada segundo o próprio George R.R. Martin, foi bem mal construída na série, através de diálogos fracos e paixonite quase instantânea. Apesar de tudo, tiveram coisas positivas nessa temporada, os efeitos visuais estavam absurdos, CGI dos dragões perfeito(tirando a supervelocidade do Viserion no último episódio haha), alguns reencontros interessantes como Arya com Nymeria, Dany com Jorah, Bronn e Pod com Tyrion, e Jaime e Hound com a Brienne, alguns diálogos bem trabalhados como o da Olenna com o Jaime sobre a morte do Joffrey, do Tormund e do Hound sobre a Brienne, e da Dany e do Tyrion sobre quebrar a roda(ao falar da sucessão), que pelos exemplos citados por Tyrion, seria a chegada a uma democracia nos sete reinos. Isso, aliado ao episódio The Spoils of War (S07E04) que foi sensacional, me fez ainda assim dar 8/10 para essa que foi a penúltima temporada de GOT.

 GUSTAVO SOUZA 
O momento em que GoT deixaria o clima de suspense e o mistério sutil como instrumentos narrativos chegou. E chegou junto com o inverno. Com isso, os sentimentos sobre o resultado final da temporada são mistos: euforia pelos desdobramentos finais dos plots construídos há 7 anos (mais longos que os invernos de Westeros) e indignação pelas soluções duvidosas de enredo em alguns pontos. É até natural que parte da audiência sinta certo gosto ruim com a penúltima temporada. Foram conversas e mais conversas de teorias, especulações e narrativas construídas na imaginação de cada um. E isso torna o trabalho de roteiristas e até do próprio George R. R. Martin complexo: os desfechos ideais. Os fatos e definições em GoT passaram a ser quase propriedade criativa de quem acompanha. E, bem, vai ser difícil propiciar roteiros tão integrados. Ao menos este me parece ser o saldo da temporada de Aegon Targaryen, Viserion de olhos azuis e muralha abatida. 

Colocando este cenário de lado, tivemos uma temporada em que as peças do jogo aparentemente foram colocadas em sua posição final de jogada. A disputa de poder tão marcada, tornou-se um pouco estranha pela ausência de projetos de todos os que ali desafiavam o status quo político dos 7 reinos. Jon evoluiu como ninguém em seu papel na história, contudo ficou amarrado a um destino de quase ex machina (Azor Ahai?). Danny parece ter perdido o ímpeto quando finalmente chegou em Westeros e passa a lidar de maneira rendida para emoções com as quais ela parecia ter mais controle ao longo das seis temporadas anteriores. Cersei carregada de rancores, Jaime parece querer desertar, Tyrion parece estar em crise de suas próprias convicções, Sansa finalmente tem seu momento, Arya parece não estar, afinal, sendo consumida pela vingança a qualquer custo. Melissandre, Varys e Misandei mais misteriosos do que os white walkers. Uma temporada repleta de acontecimentos importantes e progressivos para a última temporada. Porém cercada de diálogos estranhos à própria trajetória da série e, talvez, insegura quanto a seu próprio fim. Mas nem as soluções bizarras e os erros de continuidade subtraíram a característica essencial de uma série-evento: a capacidade de ser história antes, durante e depois do próprio episódio. Uma narrativa que continua mesmo não estando em exibição. Uma boa temporada, cujas falhas causam estranheza, mas não tiram o brilho da jornada e nem a vontade ansiosa das próximas 6 noites de domingo que ainda restam. 
8/10.

 BHÁRBARA ANDRADE 
Fan service e blockbuster, esse seria um bom resumo da sétima temporada. A sexta temporada me desanimou por completo e eu não se a sétima me animou tanto com o ritmo de obrigação em relação ao público, deixando de lado pontos característicos da história. O ritmo mudou, as jornadas se tornaram mais rápidas e até superficiais. As temporadas eram marcadas por pontos altos, momentos em que o público perdia a cabeça por completo pelo que estava acontecendo, teorias eram criadas e uma revolta por grande parte do público acontecia. Isso rolou quando Ned perdeu a cabeça, quando o Casamento Vermelho aconteceu e na Batalha dos Bastardos. Já a sétima deixou um episódio atrás do outro cheio desses momentos e ainda mais, com várias teorias mirabolantes sendo afirmadas. Isso é ótimo? Claro, mas me faz questionar onde está indo a identidade da série em si. Mortes prontas, casais escolhidos a dedo, situações montadas pelos fãs... É isso mesmo? 

Game Of Thrones foi acelerada demais e os elementos fixos utilizados durantes os últimos anos perdidos, deram um tom artificial à criação do enredo. A rapidez e facilidade em que as coisas são desenvolvidas - e sua solução - poderiam passar desapercebidas mas certamente não entre os fãs de GoT. Mesmo sendo uma série de fantasia, pontos de bom senso que se encaixem dentro do roteiro precisam ser mantidos, há muita coisa que precisa ser plausível e que faltou aqui e foi apoiado no deus ex machina. O último episódio trouxe de volta alguns diálogos e até mesmo desacelerou um pouco o ritmo da série e fez com que a gente temesse pelos personagens novamente, o que para mim, caracteriza GoT por completo. O ponto alto talvez tenha sido a quase revelação de Bran que foi encaixada entre a cena entre Jon e Daenerys. O fim do episódio deixou sim uma pulga atrás da orelha para que conseguíssemos manter a curiosidade característica de Game Of Thrones.
7/10.

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