Netflix | Death Note (2017)

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Death Note foi a minha maior decepção do ano, tanto como adaptação tanto como filme. Para você que não está familiarizado com a história, vamos lá: Light é um garoto que encontra por um acaso o Death Note, que é um caderno em que as pessoas que tem seu nome escrito nele, morrem. É aí que a história começa e que a Netflix inicia sua saga em desmontar muito do que já foi construído do enredo original do mangá e do anime, deixando de lado as criações da dupla Tsugumi Ohba e Takeshi Obata. 

Dirigido por Adam Wingard, responsável por Bruxa de Blair (2016), Você é o Próximo (2011) e outros títulos de suspense e terror, o longa custou cerca de U$ 40 milhões para a Netflix. Antes de tudo, precisamos lembrar que uma adaptação de uma obra precisa ser modificada sim, para que tudo seja melhor adaptado de acordo a mídia – que no caso passou de mangá para anime até chegar ao filme -, mas elementos chave precisam ser mantidos, algo que foi completamente ignorado por aqui. Death Note é uma obra sobre abuso do poder e suas consequências. Consequências, Netflix, consequências! 

O arco narrativo não existe já que Light (Nat Wolf) é um garoto problemático desde o começo, entregando um garoto mimado, bem diferente do Light da história original, que carregava uma personalidade marcante e inteligencia acima da média. Assim como L (Keith Stanfield), subestimado por completo, o personagem que deveria ser o maior detetive vivo, no longa parece não ter controle da situação e sua personalidade se distancia cada vez mais do original. Há uma tentativa de trazer referências à história original como a forma de L sentar e sua obsessão por doces. Mas suas manias e sua inteligência não são nem de longe exploradas como deveriam. Duas cabeças inteligentes é o que faz com que Death Note seja tão interessante, e aqui, temos apenas um detetive tentando descobrir quem é Kira. Apenas. Ryuk é interpreto por William Defoe, que é claramente o ator perfeito para um personagem caricato e aqui, traz o alívio cômico que foge um pouco do tom de suspense e do ar sombrio do personagem. O CGI ficou um pouco a desejar com uma renderização ruim, deixando o personagem ainda mais distante da narrativa. 

Deixando a adaptação de lado e avaliando Death Note como um filme único, a qualidade também é duvidável. O ritmo muito apressado foge da necessidade de explicação da motivação do personagem e também da passagem do tempo, explicada durante uma cena romântica com cortes em que algumas mortes são incluídas. O sobrenatural é facilmente aceito por Light, como se a ideia de matar pessoas escrevendo seus nomes fosse uma realidade alcançável. Não existe arco dramático e isso faz com que tanto drama quanto ação sejam deixados de lado e percam o peso no longa. Voltando à passagem do tempo, a montagem deixa de lado também a explicação sobre o romance acelerado de Light e Mia (Margaret Qualley) – Misa, na obra original -, que parece forçado e deixa a entender que não há sentimento e sim uma relação de interesse por parte da garota. 

A classificação do filme se dá, claramente, pelas cenas gore de mortes e a quantidade de sangue utilizado. O longa é um filme abaixo da média e uma péssima adaptação. O roteiro é fraco e não é coeso, deixando os arcos de lado e os personagens mal desenvolvidos. Pontos importantes de adaptação foram deixados de lado e o fan service é entregue apenas em algumas frases e pequenas referências durante o filme. O abuso de poder não é bem explorado e a utilização do deus ex machina, usado de forma deliberada, faz com que tudo perca um pouco do sentido. Não foi dessa vez, Netflix!

 Nota:  2,5 / 5 
Netflix | Death Note (2017) Netflix | Death Note (2017) Reviewed by Bhárbara Andrade on agosto 25, 2017 Rating: 5

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