Crítica | Baby Driver (2017)



Posso começar dizendo que esse é o filme que me deixa mais animado e agitado no cinema desde Mad Max - Fury Road (2015), e isso tem muito a ver com Edgar Wright. O diretor e escritor britânico, foge um pouco do que ele nos acostumou a mostrar em seus filmes, conhecido principalmente pela famosa (ao menos no underground) trilogia Cornetto, que mistura gêneros clichês do cinema americano com o humor britânico, e pelo clássico teen Scott Pilgrim vs. the World, pela primeira vez nos traz algo mais terreno, num filme cheio de perseguições de carro e roubos.

O enredo do filme gira entorno de Baby (Ansel Elgort), um piloto de fuga, de assaltos meticulosamente planejados por Doc (Kevin Spacey), que o tem forçado a participar desse mundo, para pagar uma dívida de sua juventude. Quando está perto de conseguir quitar essa dívida, ele conhece e se apaixona por Debora (Lily James), uma garçonete da lanchonete que costuma frequentar. Mas como é de se esperar, Baby é coagido a continuar trabalhando, enquanto planeja fugir com Debora. E o que tem de diferente nesse plot aparentemente simples? Baby consegue fazer praticamente tudo com as mãos no volante, mas precisa da música certa pra isso. Por causa de um acidente que teve na infância, ele usa a música para abafar um zumbido que tem desde então. Seu mundo gira em torno da música e a música gira em torno do seu humor(e de seus iPods para cada estado de espírito).

Mas para explicar melhor o que esse filme tem de especial, preciso comentar o papel da música nele. Ela o transforma quase em num clipe musical, e as ações em parte da música de background, algo que tentaram fazer em um trailer de Suicide Squad com Bohemian Rhapsody, mas aqui isso é feito no decorrer de todo filme, numa sincronia e trabalho da montagem absurdos, tanto que a trilha foi toda pensada antes e as cenas de ação definidas com o tempo de duração de cada faixa. E pensar que o Wright tá com essa ideia em mente a pelo menos 14 anos, quando dirigiu o clipe de Blue Song da banda Mint Royale e nos deu uma previa do que estava por vir lá em 2003.



Apesar de usar um pouco do clichê que satirizou nos seus primeiros filmes, fazendo seu personagem principal Baby, um anti-herói, muito bom moço, Edgar entrega um filme extremamente divertido, que prende atenção e claro tem uma trilha sensacional. Sem esquecer das atuações do Jamie Foxx, Jon Hamm e do próprio B-A-B-Y, Baby, Ansel, que estão demais. 

Indicado pra quem gostou de: Kingsman (2014), 2 Coelhos (2012), Drive (2011), Death Proof (2007), The Italian Job (1969 ou 2003). 

Nota: 8,8/10 


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