Filmes | 'Alien: Covenant' e a franquia 'Alien'





Lá em 1979 foi lançado o primeiro filme da franquia Alien. 'Alien, O Oitavo Passageiro', foi o pontapé inicial para uma jornada enorme de sci-fi com a personagem Ellen Ripley, interpretada por Sigourney Weaver, um símbolo entre as personagens femininas fortes. Conhecemos cada pedaço deste universo e até os pontos fracos desses bichos estranhos e gosmentos. O filme de 79 foi dirigido por Ridley Scott, assim como posteriormente Prometheus (2012) e Alien: Covenant (2017). Na última semana assistir Alien: Covenant no Ibicinemas e decidi que não faria uma crítica e sim, falaria um pouco de forma geral da franquia e só no final uma observação pequena. 
Este post NÃO CONTÉM spoilers sobre o filme Alien: Covenant. TALVEZ algumas informações dos filmes anteriores sejam consideradas spoiler. Então senta que lá vem textão! 



Para entender melhor a história, o mais interessante é seguir a ordem cronológica dos fatos. Assim como aconteceu com Star Wars, os produtores resolveram usar filmes novos para explicar o que aconteceu antes.  
  • Prometheus (2012)
  • Alien: Covenant (2017)
  • Alien, o Oitavo Passageiro (1979)
  • Aliens, O Resgate (1986) 
  • Alien 3 (1992) 
  • Alien - A Ressurreição (1997) 
Vou falar deles na ordem cronológica para que não estrague a compreensão dos fatos.
Começamos por Prometheus, dirigido por Ridley Scott, com Michael FassbenderCharlize Theron no elenco. Ambientado em 2089, o filme puxa uma temática mais criacionista. Através de desenhos dos antepassados, um grupo de cientistas, antropologistas acreditam que somos criação de seres superiores, gigantes, engenheiros. Então lançam a nave Prometheus, derivada Prometheus do mito sobre um Titã, uma raça de gigantes que convivia com os deuses. São os humanos indo atrás de 'seu' deus. Fassbender é David, um android que tem a ambição de parecer com os humanos, com seu criador. Nessa ambição, David se torna mal e acaba mudando todo o ritmo da história e dando o pulo inicial para o Alien: Covenant
Roteiro começa interessante mas se perde ao colocar questionamentos demais. A discussão sobre a fé não é bem desenvolvida e a explicação excessiva atrapalha o clima do filme. A mensagem muda e em um certo ponto do roteiro e nos deixa confuso se todos são considerados completos incompetentes. Detalhes referenciais à franquia original são importante, explicam sobre o Space Jockey, que aparece pela primeira vez lá em 1979 e agora entendemos do que se trata exatamente, amarrando as histórias. A ficção, fantasia e a fotografia - que retrata muito bem a imensidão, os planetas, as pirâmides e a frieza - são os melhores pontos sobre o filme, que é cheio de falhas. 

Assim como na franquia clássica, Scott resolveu manter a continuidade dos filmes e Alien: Covenant começa onde Prometheus termina, com alguns anos de diferença. Estamos na nave Covenant agora, em uma nave de colonização cheia de vidas e embriões além de uma equipe encarregada. Fassbender agora é Walter, novamente um android, mas também é David, aquele lá de Prometheus. Isso tinha uma grande chance de ser péssimo mas ficou realmente bom já que temos um atorzão da por** aqui. Assim como David é o protagonista, Daniels interpretada por Katherine Waterston (Animais Fantásticos e Onde Habitam) também é, além de ser a personagem feminina forte da vez. Walter é uma versão melhorada de David, com alguns aspectos humanos a menos e a racionalidade mais aflorada. Entendemos a origem dos alien e sua genética, o que não abre muito nossos horizontes sobre a franquia e sim cria um compilado de explicações. 
A linha criacionista é novamente o rumo do filme, que tem claras referências de 'Eram Os Deus Astronautas?', livro de 1968 escrito por Erich von Däniken. Ridley Scott continua com roteiros lentos que - neste caso - deixa o filme um mais difícil de ver. O debate sobre criação e vida não é bem feito já que os furos do roteiro deixam o tema completamente perdido em alguns momentos. A fotografia é incrível como Scott realmente sabe fazer, com enquadramentos muito bonitos. Esqueça Alien e fique mais preso à Prometheus, já que é isso que vai ser entregue à você. 

Ridley Scott dirigiu também Alien, o Oitavo Passageiro, grupo de mineradores que vão andando em planetas e buscam esse minério. Conhecemos a tripulação, somos introduzidos aos hábitos no espaço e principalmente, acompanhamos Ellen Ripley (Sigourney Weaver). A história acontece muito rapidamente e o clima de tensão é criado logo nos primeiros minutos. Durante um sono criogênico, os tripulantes são acordados por uma emergência e quando isso acontece, temos o primeiro - na época - contato com o xenomorfo, que é um parasita que mistura seu DNA com o DNA do hospedeiro, então sua forma é bem diferente dependendo de quem foi atacado. Essa mistura de DNA acontece quando o Facehugger insere o embrião do xenomorfo em outro organismo. Esse embrião sai e se torna um Chestbuster que no decorrer de sua evolução se transforma no Alien que conhecemos. Temos um filme sobre questão de sobrevivência, onde os mineradores perdem o controle do que acontece dentro de uma nave comercial. O filme mantém o clima de suspense, expectativa e claustrofobia, sendo a trilha sonora muito importante nesse ponto. É importante notar o impacto da personagem Ellen, que em 1979 foi a figura feminina mais importante por tratar de uma mulher forte, inteligente e completamente capaz de fazer o que quiser. Eis aqui o meu filme favorito da franquia. 

Aliens, o Resgate veio em 1986 quase 10 anos depois do primeiro. James Cameron toma conta agora do filme abre porta para um clima de um pouco mais de ação e menos de suspense. 57 anos depois do primeiro filme Ripley é resgatada e começam a investigar o que aconteceu, já que toda a equipe na empresa não acredita na história que ela conta, acreditando que isso é impossível pois conseguiram colonizar a lua e nunca ninguém contou nada parecido. 
Quando o contato com os colonos começa a ficar escasso, chamam Ripley e uma tripulação, as Tropas Coloniais, para descobrirem o que aconteceu. Ao chegar, a tripulação descobre que os alien - agora plural - são muitos, já que usaram os colonos para reprodução. Uma garotinha é a única sobrevivente e é daí o nome do filme. Ripley se mostra uma mulher cada vez mais forte e inteligente em meio à uma tripulação tola e até mesmo um pouco burra. As cenas são muito bonitas e infelizmente ficaram datadas depois de tantos anos e com uma evolução tão grande da computação gráfica. O ponto adicional deste filme é a descoberta de que há uma 'Rainha', uma alien-mãe, que coloca os ovos onde os Facehugger são criados. Uma das viradas na história ocorrem exatamente por isso, assim como a virada final, a carga emocional desse filme e o roteiro do próximo.

Alien 3 é de 92 e dirigido por David Fincher - que você provavelmente conhece por Clube da Luta (1999). O filme começa exatamente onde Aliens, o Resgate acaba. Ripley vai parar em uma prisão de segurança máxima, que também é administrada pelo Peter Weyland que nós vimos lá em Prometheus, lembra? Ela é encontrada na praia quando sua nave cai depois de um curto circuito causado pelo sangue de um ovo de Facehugger, e então é encontrada nesse planeta prisão. A ambientação é bem suja mas os efeitos digitais são os piores da franquia original, assim como alguns furos no roteiro. Ripley descobre que há um hospedeiro com ela e é aí que tudo fica mais comercial e somos entregues ao interesse governamental. A trama continua claustrofóbica e com um volume de cenas violentas ainda maior já que a prisão tem apenas assassinos e estupradores. Mesmo sendo o filme com cenas mais pesadas, algumas cenas foram cortadas pela época. Perdemos Ripley neste filme, já que ela estava com uma Rainha dentro de si e acaba escolhendo se jogar em metal quente para que não sejam feitas pesquisas sobre o desenvolvimentos dos aliens. Adianta? Not that much. 

Pelo nome do último filme da franquia clássica você pode imaginar o que aconteceu, certo? Alien, a Ressurreição volta com todos esses bichos nojentos e agora somos introduzidos à clonagem. Através de amostras de sangue, cientistas clonam Ripley, o que sai um pouco diferente do esperado quando percebem que o clone adquiriu características genéticas dos aliens como força e sangue ácido. A geração nova dos aliens são muito mais inteligentes que as anteriores mas os cientistas não estavam preparados para isso. O filme é tão fraco quanto o Alien 3 e o roteiro é cheio de furos e ligações absurdas. Os efeitos são práticos e as cenas são mais violentas, o que não quer dizer que são boas cenas. A sequência é fraca e não acrescenta muito à franquia clássica. Ainda temos aliens, androids, naves explodindo, planetas salvos e híbridos. Se você quiser parar de ver no segundo, eu entendo! 


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