Seriados | Os 13 Porquês



Quando o livro 'Os 13 Porquês' foi lançado lá em 2007 eu tinha 11 anos e não consegui terminar o livro porque achei a temática chata, acabei abandonando. Hoje, assistindo a série, eu vejo que muita coisa na minha vida seria diferente se eu tivesse continuado aquelas páginas. Assim como tenho feito nas últimas críticas e resenhas, este texto vai muito além de uma visão rasa do seriado. Vou entregar a a minha opinião não só sobre o que vi, mas sobre o que senti e absorvi. 
Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker - uma colega de classe e antiga paquera -, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.
Escrito por Jay Asher, 'Os 13 Porquês' é um chute no estômago. No seu, no meu, no de todo mundo. Antes de sentar a assistir a série você precisa saber que talvez ela não seja para você, talvez você não esteja em um bom momento para o que ela vai te apresentar. Dirigido por Tom McCarthy, a série contou com outros sete produtores, entre eles a atriz Selena Gomez. Com 13 episódios de até 50 minutos, a série foi lançada no dia 31 de Março e rapidamente se espalhou pela internet como uma epidemia. Todos estavam falando sobre Hannah. O elenco cheio de atores novos, sustenta bem a série e entrega personagens muito bem marcados, você já prevê o que algum deles são capazes de fazer. Os sentimentos são passados com sinceridade e os diálogos são bem reais. Se, depois de ler esse texto inteiro, você ainda quiser assistir a série, aproveite! Vale a pena SIM.

Primeiro, vamos falar sobre gatilho. Se você sofre de depressão ou algum outro problema psicológico mental, eu recomendo que você conheça seus limites. A série trata de depressão, estupro, suicídio, bullying. A mente humana é complexa demais mas eu tenho certeza que você conhece seu próprio limite emocional. Não force para assistir uma série, infelizmente, se você tem pensamentos suicidas ou está tratando de depressão, a série pode ser um problema para você. 

Eu chorei. Chorei muito no decorrer dos episódios. Eu me senti sozinha, suja, culpada e também vítima. Nunca fui vítima de bullying, mas o ensino médio não foi o melhor dos lugares para mim. Eu nunca consegui me encaixar perfeitamente em grupo nenhum e sempre acabava com uma única amiga ou preferia ficar sozinha. Não que isso fosse um problema para mim, eu nunca achei que fosse, mas percebi que nem todos reagem assim. Talvez as outras pessoas que eu observava estarem sozinhas, não queriam estar tão sozinhas assim. E eu nunca ajudei-as. 

Eu senti muito também por vezes que magoei alguém. Por inúmeros motivos eu sei hoje que deveria ter ficado calada e observado as coisas de outra forma. Eu me senti suja quando notei que algumas vezes na minha vida fui um porquê na vida de alguém, me senti pesada quando notei que passei por alguns momentos ruins e que eles ainda me fazem mal, ainda pesam lá no meu inconsciente. A série foi um gatilho pra mim, e foi muito mais difícil terminá-la do que eu imaginei. 

Queria que todos entendessem que a vida do outro vale muito mais do que imaginamos. Queria que minha própria mente entendesse que eu tenho força o bastante em mim para ajudar as pessoas, evitar que elas passem por momento de agonia, oferecer um ombro amigo, oferecer uma mão. Se você chegou até aqui e acha que precisa de ajuda, de alguém para conversar, saiba que eu estou aberta a te ouvir e te ajudar, mesmo que seja de longe. Mas se, por outro lado, você chegou e não acha que se encaixa nos que precisam de um ombro, ajude alguém. 

Mude as estatísticas de jovens que cometem suicídio. Faça algo. Não seja o Clay, não seja a Hannah.


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