7 de março de 2017

Filmes | A franquia 'Hannibal'




Elegante, psiquiatra, culto, assassino e canibal, este é Hannibal Lecter, um dos personagens mais icônicos do cinema. Criado pelo escritor norte-americano Thomas Harris, Hannibal foi personagem de quatro livros: Dragão Vermelho (1981), O Silêncio dos Inocentes (1988), Hannibal (1999), Hannibal, A Origem do Mal (2006). Cada um desses livros rendeu uma adaptação para o cinema sendo as três primeiras estreladas pelo mestre Anthony Hopkins.



Hannibal - A Origem do Mal, apesar de ter sido o último filme a ser lançado, é na cronologia da história o primeiro filme. O enredo mostra a infância de Hannibal e as circunstâncias que o levaram se tornar um psicopata canibal. Ele, que nasceu na Lituânia e lá passou sua infância, perdeu os pais muito cedo e viu sua irmã ser devorada por soldados que invadiram sua casa no fim da Segunda Guerra. Já na sua juventude, Lecter decide vingar a morte de sua irmã fazendo os assassinos “pagarem na mesma moeda”. Gaspard Ulliel interpreta o psicopata e, apesar de não ter o carisma de Hopkins, faz um ótimo trabalho. A direção de Peter Webber e o roteiro do próprio Thomas Harris são funcionais e deixam o filme com um bom ritmo. Apesar de ser uma boa película, Hannibal - A Origem do mal, é bem inferior as três outras produções.

Seguindo a ordem cronológica, temos Dragão Vermelho, lançado em 2002. O agente do FBI Will Graham após ter sido vítima quase fatal de Lecter o procura na prisão para tentar traçar o perfil psicológico de um serial killer intitulado “Fada dos Dentes”. O Fada dos Dentes, que na verdade se chama Francis Dolarhyde e foi interpretado com maestria por Ralph Fiennes, é um personagem que ora amedronta o espectador, ora o faz sentir pena e compaixão. Dolarhyde tem um dragão vermelho tatuado em suas costas baseado na pintura "O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida de Sol" do inglês William Blake. Esse dragão além de dar nome ao filme enche-o de simbologia. Will Graham, vivido por Edward Norton, é carismático e desperta muita empatia no público. Apesar desses dois personagens excelentes, a grande estrela do filme é Anthony Hopkins que está absoluto no papel do psicopata canibal. Direção, cinematografia e trilha sonora também são muito bem trabalhadas e fazem desse filme grande suspense investigativo.

A terceira obra é considerada por muitos o melhor filme de suspense da história do cinema. O Silêncio dos Inocentes, lançado em 1991, reinventou o gênero. Anthony Hopkins mostrou que não são necessárias cenas apelativas ou vilões horripilantes para causar medo. Um gesto, uma fala ou um olhar são suficientes para arrepiar quem está vendo o filme. Nessa terceira parte da história, Hannibal ainda está preso e a estagiária do FBI Clarice Starling é incumbida de procurá-lo para, juntos, traçarem o perfil de um novo serial killer (Buffalo Bill) que está assassinando as vítimas e retirando pedaços de pele delas. As cenas de Lecter e Starling dialogando separados por uma grade na cadeia são simplesmente icônicas. A qualidade do magistral roteiro fica evidente nesses momentos. Clarice tem um passado turbulento e Hannibal consegue fazê-la revisitar toda sua história, mesmo sem conhecê-la, através da sua inteligência, perspicácia e psicopatia. Starling é obrigada a fornecer informações sobre sua vida pessoal em troca de informações de Lecter sobre a investigação de Buffalo Bill. Essa estranha relação que aos poucos eles vão construindo se torna um dos romances mais utópicos e arrepiantes do cinema. Tanto Jodie Foster que interpreta Clarice quanto Hopkins estão em seus melhores papeis da carreira. Hopkins, que incrivelmente só está presente em 18 minutos de filme, aparenta estar a todo o momento na tela e isso se deve ao peso dramático de sua atuação. Os aspectos técnicos de O Silêncio dos Inocentes são irretocáveis assim como as atuações e o roteiro. Isso ficou claro no Oscar de 1992 quando a película ganhou os cinco prêmios mais importantes: Melhor Filme, Melhor Diretor para Jonathan Demme, Melhor Roteiro Adaptado para Ted Tally, Melhor Ator Principal para Anthony Hopkins e Melhor Atriz Principal para Jodie Foster.

O último filme da lista é Hannibal, lançado em 2001. O enredo nos leva para 10 anos após o caso de Bufallo Bill. Lecter está foragido na Itália como um dos dez homens mais procurados do mundo e Clarice (agora interpretada por Julianne Moore) se encontra numa fase difícil de sua carreira no FBI. Após receber uma carta de Hannibal, Clarice inicia uma investigação para encontra-lo. Ao mesmo tempo, Mason Verger (Gary Oldman), a única vítima de Lecter que sobreviveu, inicia um plano de vingança contra ele e para isso também contrata uma equipe para encontra-lo. Entretanto, Lecter é sagaz e não deixa pistas de onde está tomando todo cuidado para não ser descoberto. O tom desse filme é completamente diferente do primeiro, isso frustrou alguns, mas outros conseguiram captar a essência da história. Enquanto em O Silêncio dos Inocentes conhecemos a face psicopata de Hannibal que não precisa ferir fisicamente para atingir seus alvos, nesse filme conhecemos a face “sangrenta” dele. Hannibal é muito mais gráfico que O Silêncio e tem diversas cenas de violência explícita. A grande crítica envolvendo essa sequência é exatamente essa “mudança de personalidade” do protagonista que antes fazia terror psicológico e agora é extremamente agressivo. Na minha visão uma coisa não exclui a outra. Lecter é uma mente complexa e expressa várias nuances de sua personalidade doentia. A direção de arte, cinematografia, fotografia são magnificas. As locações em Florença contribuem muito para isso. O tom azulado e frio da fotografia é belíssimo. A trilha sonora de Hans Zimmer nos brinda com verdadeiras obras de arte. A atuação de Hopkins nunca decepciona e Julianne Moore como Clarice está muito empenhada.

Apesar da desorganização na ordem dos lançamentos, essa sequência de filmes é um prato cheio para quem gosta de cinema. Aqui temos um filme bom (Hannibal - A origem do Mal), dois filmes muitos bons (Dragão Vermelho e Hannibal) e um excepcional (O Silêncio dos Inocentes). O conjunto da obra apresenta as individualidades de um dos maiores psicopatas da história do cinema: Hannibal Lecter.


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