3 de março de 2017

Crônica | Eu me calo



Você não vê. E, tudo bem, eu até entendo. Eu não digo, mas você também não me escuta, e vê e eu me calo. Eu te olho por minutos ininterruptos, esperando que você suspire e me pergunte o que é que há, mas você ignora o calor do meu olhar e me entrega apenas um sorriso amarelo, frio. 23 dias. Estou contando os dias desde que perdi as rédias dos fatos. Em 23 dias eu surtei algumas vezes, já que algumas dores simplesmente vão e voltam todo o tempo. Não se sinta mal, isso provavelmente é culpa da minha mente doentia que lateja em torno de você. 

Me mantive fria, indiferente e assumi uma postura irredutível na tentativa de que isso afastasse você. Quem sabe assim você conseguiria ser um pouco mais sincero comigo. Eu ouvi aquela música, que você me disse uma vez que não gostava muito, só pra me convencer de que eu poderia me acostumar com um simples sinal de vida de onde estiver, qualquer coisa que faça eu pensar que você está bem ou deitado nos braços de uma outra qualquer. Mas eu não me convenço de nada disso no final dos acordes repetidos. 


Ser forte quando se trata de você é uma puta dor de cabeça. O altar onde você está guardado no meu peito, ocupa um lugar intocável. Quando eu voltei a segurar sua mão e te dei o meu maior sorriso, eu sei que percebeu que minha guarda tinha simplesmente sumido. O amor vence o cansaço da indiferença e o espaço para deixar num canto escuro foi ocupado por algum dos meus monstros que eu enviei para lá. As vezes em que tentei dizer alguma coisa e fui sufocada pela culpa de ser sempre a primeira pessoa a voltar atrás estão sendo deixadas lá no canto escuro. 


Eu não vou embora e você vai voltar a sorrir para mim, aquele sorriso gostoso. Eu sei que vai, eu sei que vamos. Juntos. 




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