Crônica | É só isso?



Olhando em volta penso em como nos tornamos completos paradoxos. Não temos mais a nossa própria vida, o que ouvimos todo o tempo é “fulana tem uma vida maravilhosa, queria tanto ser como ela”. Não estou falando de admiração, estou falando sobre querer ter a vida do outro como se isso fosse um caminho só de ida para uma felicidade certa. É foto aqui, frase de motivação ali, 10 segundos de um momento feliz lá. Adoramos ser enganados por tudo isso – parece- nos entregar. Então, preenchemos nossas lacunas completamente vazias com pílulas de nomes estranhos e muitas horas de conversas doídas e solitárias com alguém que é pago para te ouvir.
E só isso mesmo que a gente quer? Sério? Quando eu era pequena costumava mudar de sonho o tempo inteiro, eu queria ser uma princesa da Disney, queria ser campeã de natação, queria ser grande que nem a minha mãe. É bobo, né? Mas analisando agora, era bem melhor do que aspirar ser fit, ou ser famosa, ou namorar aquele cara rico e famoso. Era tão suave e eu voava em meus sonhos, voava o tempo todo e sorria. Sorria o tempo todo.
Agora eu sinto como se meus pés tivessem necessidade de tocar este chão frio por tempo demais. Mas no fundo do meu peito, eu só quero ter 7 anos novamente continuar voando e sorrindo. Tudo bem, certo? O embrulho que eu sinto quando vejo todos em minha volta lutando tanto para serem felizes em empregos que não gostam, graduações obrigatórias, namoros ruins, faz meu coração sentir que é só isso mesmo. E eu não quero, não quero só isso.
Como é desesperador equilibrar o temor em meu peito. Como é angustiante. Desculpa o drama, é que me sinto tão ansiosa, tão preocupada, tão cheia de ânsias que transformo tudo que posso em um catalisador de mim mesma. Aparentemente estou na terra prometida das oportunidades, onde daqui uns anos terei um diploma, um marido, uma família, dinheiro e… só? Mas cara, eu não quero só isso não.
Eu quero abrir a porta, eu quero sair.


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