Livros | 5 melhores livros lidos em 2016

Não é novidade para ninguém que o ano de 2016 não foi lá essas coisas. Muita gente importante morreu, a economia do país afundou, a política mundial sofreu reviravoltas gigantescas e as perspectivas para a educação foram por água abaixo. No meio de toda essa loucura existencial, encontrei um ponto de apoio e esperança: pelo menos nesse ano eu li bastante.

Sim, é até um pouco ridículo falar que o único ponto positivo do ano todo foi a leitura. Até porque isso é uma baita mentira. Mas, como uma leitora ávida e amante irrecuperável de livros, o ano de 2016 me serviu como recuperação literária, isso porque no ano passado a Arquitetura não me deixou ler quase nada (fazer faculdade às vezes mata os nossos hobbies, não?).

Então, no espírito de fim de ano, resolvi listar minhas leituras favoritas de 2016. Não foi uma escolha fácil. Foram quase 57 livros (estou terminando o 56 e o 57 ainda), e fiquei realmente feliz em perceber que gostei de quase todos. Antes de começarmos, vou avisando que essa listinha não contém somente livros publicados nesse ano, e alguns deles nem foram lançados no Brasil. Mas como acredito na verdade, vou colocar aqui os 5 livros que eu realmente preferi nesse ano conturbado:



5. THE WAY WE BARED OUR SOULS, por Willa Strayhorn
Em tradução livre, “A maneira como despimos nossas almas” foi publicado em 2015 pela editora Razorbill, nos EUA e não possui edições brasileiras, até onde pude descobrir. Poucas pessoas conhecem, quase ninguém leu. Esse é o tipo de livro que você simplesmente acha por aí e quando lê, ele te surpreende mais do que você poderia imaginar. Entrei na história com ceticismo: a sinopse comenta sobre cinco adolescentes unidos em volta de uma fogueira. Porém, acredito que a história é sobre mais do simplesmente cinco adolescentes. É uma trama sobre cinco pessoas problemáticas, doentes, à beira da morte. É sobre cinco pessoas lutando para encontrar algum sentido para sua dor, e vendo esse sentido na amizade. O que mais me encantou sobre o livro foram os cenários e percepções descritos. Apesar de tudo o que acontece na vida desses adolescentes, eles mantêm a esperança, e isso é tudo o que importa.
Esse é definitivamente um livro para quem gosta de histórias um tanto quanto motivacionais, para quem quer ter uma perspectiva diferente sobre a vida e para todos aqueles que gostam de uma leitura leve e emocionante.

4. SIX OF CROWS, por Leigh Bardugo
Já com edição brasileira pela editora Gutenberg (desse ano), foi originalmente publicado em 2015. Em meio ao mundo previamente criado por Leigh Bardugo nos livros da trilogia Grisha, encontramos um grupo de criminosos que aceitam uma missão para um assalto impossível em uma terra distante. Por meio de diferentes pontos de vista, entramos nas perspectivas de cada um dos personagens e somos imersos em um mundo de esquemas irreparáveis. Esse livro é capaz de deixar qualquer um viciado até a última página. A genialidade dos personagens e dos acontecimentos é ainda mais interessante. O fim nos apresenta surpresas incríveis. Recomendo para os amantes de fantasia, para aqueles que gostam de tarefas impossíveis, personagens cativantes e anti-heróis. E fique tranquilo: não precisa ter lido os livros da trilogia Grisha para entender esse aqui. Ele é magnífico por si só.

3. LARANJA MECÂNICA, por Anthony Burgess
Publicado em 1962, Laranja Mecânica representa o início da febre distópica e, assim como Admirável mundo novo (de Aldous Huxeley), 1984 (de George Orwell) e Fahrenheit 451 (de Ray Bradbury), é um dos precursores do gênero. Acredito não ser novidade para ninguém que Laranja Mecânica é maravilhoso. Ganhou filme dirigido por Kubrick e, consequentemente, fama mundial. A história se passa em uma Inglaterra futurista onde Alex é um jovem problemático que pratica a chamada Ultraviolência. Em algum momento, seus amigos o traem e ele acaba preso. Numa tentativa desesperada de se livrar da prisão, Alex aceita ser tratado pelo método Ludovico, uma terapia de aversão horrenda.
O livro é ainda mais interessante pelo uso de gírias. Burgess cria palavras quase originais para descrever objetos e ações (como Moloko, para o leite batizado que eles bebem antes de cometerem sua ultraviolência). Assim, somos imersos nesse mundo incrivelmente bizarro e maravilhoso, completamente satirizado. O autor nos apresenta diversos temas reflexivos, e trata da maldade de uma maneira muito renovadora. Recomendo essa história para qualquer um de estômago forte, cabeça boa e bom senso de ironia.

2. OUTLANDER, por Diana Gabaldon
Publicado originalmente em 1991, Outlander (em edição brasileira, A Viajante do Tempo) conta a história de Claire Randall, enfermeira em férias com seu marido Frank no ano de 1945. Ao procurar flores em um círculo de pedras na Escócia, Claire volta no tempo e para em 1743. Não posso, em um espaço tão pequeno, descrever toda a história. Em quase 700 páginas, centenas de coisas acontecem, somos apresentados à diversos cenários e à muitos personagens. Essa é uma história de época maravilhosa, que mistura romance e aventura de uma maneira nem um pouco sutil. É um livro que te mantêm grudado nas páginas por horas sem fio, que surpreende a cada parágrafo e que te enlouquece durante toda sua duração.
Recomendado para todo mundo, em qualquer momento. É muito bom mesmo. Sem mentiras.

1.OS MISERÁVEIS, por Victor Hugo
Demorei muito tempo para ler esse calhamaço. Fico feliz em dizer que terminei essas 2000 páginas de pura perfeição. Publicado em 1862, apresenta uma trama extremamente complexa e intrincada que se passa na proximidades de Paris (e, eventualmente em Paris), na França. Não há maneira fácil de descrevê-lo: é a história de um homem (Jean Valjean) em busca de uma vida. Mais do que isso, é a história de dezenas de miseráveis que, no fim, acreditavam em alguma coisa, lutaram por isso e continuaram miseráveis. É a história de pessoas comuns, vivendo vidas extraordinariamente terríveis. A beleza do livro está na maneira como o autor consegue fazer com que tudo se conecte. Todos os acontecimentos convergem em pontos específicos da história. Odiamos alguns personagens, amamos outros, mas uma coisa é certa – sentimos por eles. Victor Hugo é capaz de criar cenários devastadores, as vezes até mesmo tediosos.
É, sem dúvidas, um dos melhores livros que já li na minha vida e um dos melhores existentes por aí. As palavras utilizadas são perfeitas, a história é perfeitamente imperfeita e o livro é simplesmente maravilhoso. É outro que eu recomendo para todo mundo, em qualquer momento. Se você gosta de romances históricos, clássicos gigantes e tramas complexas, não deixe de conferir.


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