Análise | Desventuras em Série (2017) x Desventuras em Série (2004)



Se você tem acompanhado a internet na última semana sabe que a Netflix deixou todo mundo maluco com o lançamento de Desventuras em Série.

Se você não faz a menor ideia do que se trata, vou dar um breve resumo para você. Daniel Handler por trás do pseudônimo Lemony Snicket escreveu Desventuras em Série lá em 1999, quando 'Mau Começo', primeiro livro de 13, foi lançado. A história narra os trágicos acontecimentos na vida de três irmãos, os Baudelaire, sendo eles Violet, Klaus e Sunny. As coisas começam a dar errado na vida dos três quando seus pais morrem de forma misteriosa em um incêndio e eles são obrigados a morar com seu tutor, o Conde Olaf. E como se a morte de seus pais não fosse algo ruim o suficiente, tudo piora depois disso. 

Lá em 2004, a Paramount lançou uma adaptação de 'Desventuras em Série' com as histórias dos três primeiros livros - Um Mau Começo, A Sala dos Répteis, O Lago das Sanguessugas - em um único filme, dirigido Brad Silberling e estrelado por Jim Carrey no papel de Conde Olaf que recebeu um Oscar (2004) na categoria de melhor maquiagem. Depois de 13 anos a Netflix refez a adaptação de forma remodelada, sendo assim, temos a história agora dividida em 8 episódios que contam os acontecimentos dos 4 primeiros livros, Um Mau Começo, A Sala dos Répteis, O Lago das Sanguessugas e Serraria Baixo-Astral

Resolvi fazer algumas comparações para que você que ainda não viu, saiba de algumas diferenças. Se são boas ou ruins é você quem escolhe! Apesar de comparar, o post é spoiler free. Então pode ler tranquilo que não vou contar nada que possa acabar com a sua experiência. Vamos lá! 



Os irmãos Baudelaire 
Os irmãos Baudelaire do filme são um pouco mais distantes do que Snicket descreveu nos livros. Klaus não usa um óculos, Violet não é tão sombria e até um pouco depressiva e eles não demonstram ser tão inteligentes quanto esperávamos. Já na série, Klaus tem seus óculos e faz referência a todos os livros que leu durante a vida para tentar resolver os problemas em que se metem e Violet é mais melancólica, mas ainda assim, não no tom certo. 
Sunny, o bebê, é realmente mais cativante no filme. O uso exagerado de CG na série fez com que o bebê se tornasse uma peça irritante em algumas cenas onde vemos que claramente se trata de um boneco ou que a criança simplesmente foi colocada ali por meio de efeitos visuais. Alguns erros são drásticos e a forma como Violet tem que segurá-la por todos os episódios é um pouco extrema também. Talvez pudessem optar por um bebê que andasse, como no filme.



Conde Olaf 
O Conde Olaf é, sem sombra de dúvidas, a peça principal da obra. Seja interpretado por Jim Carrey, que nos entrega um personagem um pouco mais caricato e mais engraçado, cheio de trejeitos e expressões fortes ou interpretado com Neil Patrick Harris, com um Conde mais sério, assumindo de forma mais completa o papel de vilão, com frases de efeito mais pesadas e olhares mais tensos, intensos. Ambos são absurdamente bons e durante todo o tempo tentei voltar aos livros e pensar em qual deles se assemelha mais ao Conde Olaf descrito nas páginas e Neil se adequou mais, principalmente pela forma mais cruel e sem tantas piadas.  



Fotografia
A fotografia de ambas adaptações são bem parecidas, um reflexo da escrita de Snicket. No filme os tons são mais escuros, tudo com um toque mais sombrio e tons pastéis - mesmo que claros - mais fechados. É claro que a computação gráfica é responsável por grande parte mas ainda assim, neste quesito, as cores do filme me parecem um pouco menos extremas e cada personagem recebe seu tom, trazendo maior representatividade. Já na série, a fotografia tem traços de Tim Burton em Edward Mãos de Tesoura (1990), onde os tons claros contrastam com tons escuros, e também traz traços de Wes Anderson. Um pouco mais colorido que o filme. 



Livro adaptado favorito
Meu livro favorito retratado no filme foi 'O Lago das Sanguessugas', que conta a história de como as crianças, após sofrerem outra perda, acham uma nova guardiã, a Tia Josephine interpretada por Meryl Streep. Adoro a forma como o filme retratou as inseguranças da Tia sem parecer uma coisa forçada, o que achei um pouco exagerado na série e pouco focado no porquê de tantas inseguranças, ponto importante para o desfecho desta parte da história.  
Já na série, meus episódios favoritos foram o 3 e 4, adaptações do livro 'A Sala dos Répteis'. A forma como a relação entre o Tio Monty e os órfãos foi criada e como os laços pareceram muito fortes fez com que esta se tornasse minha parte favorita da série. 

Resumidamente, o filme a série são SIM diferentes! O lado cômico do filme é deixado um pouco de lado pela série e o tom sombrio dos livros é levado mais em conta. O filme e a série estão no Netflix e minha dica é: assista ambos e tire suas próprias conclusões, tenho certeza que um deles será seu preferido! 



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