Crônica | Bem sua

Em algum daqueles dias confusos você desmarcou comigo e eu fiquei maluca sem saber o que fazer. E agora? Minha mania de organização sofreu de um mal súbito quando você tirou um dos meus planejamentos. Você sabe, você é o planejamento. E é o maior deles, para ser sincera. As pessoas acham que eu não deveria te dizer isso mas elas também acham que algum tipo de salvador vai rasgar o céu para buscá-las em alguns anos. 

Eu gosto é que você saiba do que eu sinto, que saiba que eu preciso daquele seu cheiro forte quando me busca em casa, que eu preciso ver a covinha no seu rosto quando você gargalha gostoso, me fazendo esquecer até o que foi dito. Eu gosto de você no meio das minhas coisas, dos meus livros, dos meus escritos, das minhas músicas, dos meus dias e horas. Gosto quando você vem e não tem hora para ir embora. Quando vem e fica. Você é bom nisso, ficar. E eu adoro. 

Assustadoramente todos os meus caminhos tem você lá no final, segurando um cachorro no colo e uma sacola de supermercado cheia de chocolates. Tem outros caminhos também, e eu adoro aquele que me mostra você ouvindo The Black Keys e encarando o teto como se houvesse toda uma galáxia a ser descoberta ali enquanto eu conto cada pinta do teu corpo, cada cicatriz na sua pele. Dá pra perceber fácil que eu gosto mesmo de você. Assim mesmo, bem descomplicado, bem entregue. E aí eu consigo ser eu mesma, bem sua, porque é isso que eu sou. 

E se eu bem conheço você, sei que também gosta de mim. Assim mesmo, bem descomplicado. É esse gostar gostoso, realista, cheio de falta de modos. Eu sei que você gosta de mim porque no fim do dia eu ainda recebo sua mensagem de boa noite, pedindo pra me ver no dia seguinte. Ainda bem você é assim porque eu gosto tanto, e estamos ligados de um jeito que ó, nem sei o que é. Mas eu sou bem sua e eu sei, eu sei que você também é meu.  

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