4 de dezembro de 2016

Crítica | Black Mirror (2011-2016)



"Se a tecnologia é uma droga então quais são precisamente os efeitos colaterais?"
Confesso que tive que me esforçar pra começar a ver Black Mirror, uma série britânica inspirada em The Twilight Zone (1959) e criada por Charlie Brooker. De acordo com o próprio, o título se refere ao espelho negro que podemos encontrar em todas as paredes, mesas, na palma de toda mão: a fria e brilhante tela de uma TV, monitor e smartphone.

Gostos e opiniões variam de pessoa para pessoa, e na minha opinião Black Mirror é uma das séries mais pesadas e chocantes, e diria até mesmo assustadora que já assisti. Ela busca problematizar a interação homem/tecnologia e como isso nos afeta como sociedade e como seres humanos, propondo sempre questionamentos sobre a vida onde o próprio espectador se põe a pensar durante horas ao término de cada episódio. É tudo jogado na sua cara, cuspido de modo sujo e agressivo, mas a beleza de tudo isso é magnífica.

Inicialmente produzida pela Endemol, a série foi comprada pela Netflix e nos dá uma terceira temporada dobrada, possuindo 6 episódios, diferente das duas primeiras temporadas que possuíam somente 3 cada. Ao longo dos episódios, somos apresentados a não só visões diferentes do futuro, mas a etapas diferentes dele. Apesar de nunca ficar claro para a audiência, subentende-se que certos futuros estão bastante próximos da nossa realidade, enquanto outros se aproximam intensamente do século 22.

Tenho um certo problema com vergonha alheia, e é assim que essa trama genial e bizarra começa, com o episodio “The National Anthem”, que na minha opinião é o mais doentio de toda a série mas é o choque inicial que se tem de levar pra ter estomago e frieza pra continuar assistindo, principalmente por que o melhor está por vir. Todos os episódios são muito bons, mas fiquei perplexa e completamente apaixonada por três.


Be Right Back (S02xE01) é sem dúvidas o melhor episódio da série inteira. É bem escrito, sensível e não foge da proposta do show. O grande detalhe desse episódio está no casal principal, interpretado pela Hayley Atwell e Domnhall Gleeson, e não nos detalhes tecnológicos que a série usualmente apresenta. É um drama maravilhoso.



San Junipero (S03xE04) talvez seja o episódio mais original da temporada. Trata conceitos muito bonitos de uma forma diferente e traz uma ideia bem criativa. A dupla de protagonistas, Mackenzie Davis e Gugu Mbatha-Raw  tem uma química incrível e sem elas o episódio não seria tão bom.



Men Against Fire (S03xE05) é uma critica aos líderes por fazerem verdadeiras lavagens cerebrais em seus soldados e população para criar a ideia de que seus inimigos são, de fato, inimigos e logo, merecem morrer. É não só um  melhores episódios da terceira temporada mas a um dos mais críticos da série.

Nota: 8.5/10


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