27 de setembro de 2016

Crônica | A literatura me salvou







Sei que eu seria uma pessoa completamente diferente se não fossem por todos os livros que li. Se não fossem todas as páginas, as lágrimas e os devaneios literários, eu seria outra mulher agora. A literatura muda as pessoas. Olhe só para mim, me mudou por completo. 

A minha intensidade seria menor se eu não tivesse sofrido com Catherine e Heathcliff. Eu seria bem mais geniosa ao amar se não fosse tivesse acompanhado ali, lado a lado, o amor de Darcy e Elizabeth crescer e modificá-los por completo. Meu coração amoleceu aos poucos no decorrer do passar de páginas. Quando o meu primeiro - e único - exemplar de 'O Pequeno Príncipe' me foi dado eu tinha apenas seis anos e o mais interessante ali para mim era saber se a cobra tinha realmente comido o elefante. Anos depois eu compreendi o que a minha mãe disse sobre somente entender o livro mais tarde e sei que talvez eu cativasse menos as pessoas e não ficasse tão feliz ao saber que, em algumas horas, as encontraria. 

Foram os livros que me fizeram, me formaram. Cada página me mostra que a vida tem suas nuances, dias nublados, dias de Dostoiévski, dias de Machado de Assis. A literatura me mudou sim, eu sei disso porque toda vez que percebo os meus erros em um personagem genioso, ardido, acabo caindo na risada. Foram mesmo os livros e se não fossem eles... ah, se não fossem eles! 

Ai de mim sem os livros. A cada crônica, poesia, conto que termino o pensamento "caramba, eu queria tanto ter escrito isso" me preenche de uma forma abundante, a vontade de escrever e dar o prazer à quem lê assim como eu tenho como leitora. Foi a partir da leitura que cada passo da vida se transformou em uma linha diferente em um crônica escrita em um sábado a tarde. Porque é isso que os momentos da vida se tornam, uma linha a mais no livro da vida. E exatamente como os livro, a vida tem dessas de esperar mais da gente do que a gente dela. 

Foram as páginas amareladas de 'O sol é para todos' que me escutaram às 3 da manhã, limparam minhas lágrimas, viajaram ao meu lado, ficaram comigo até que a insônia cessasse. Foi a literatura, a paixão pela escrita e o alívio que trazia ao meu peito. Foram os livros, e ai de mim se não fossem eles! 


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