Crônica | Ao meu pai, com carinho

Foto: Reprodução/WeHeartIt

Quando eu era mais nova, me lembro de encher a boca cheia de orgulho por quem meu pai era. Eu gostava de dizer que ele, aquele homem que muita gente conhecia, era o meu pai. Que me carregava no colo e que tinha amor incondicional por mim. Me lembro de como eu gostava de ir até seu trabalho e ver como as coisas funcionavam, como ele conseguia passar aquilo para várias pessoas. Sempre um homem incrível. A personificação do super-homem. 

Quando eu cheguei à adolescência uma das minhas maiores alegrias era passar o meu domingo com ele e quando chegava em casa com algum CD novo me apresentando uma banda ou me dando de presente o último lançamento daquela banda que eu amava. As vezes trocávamos, ele me mostrava algo e eu o apresentava alguma banda. Suas escolhas eram sempre melhores e talvez - com toda a certeza - eu deva à ele o meu lado bom na música. 

Várias vezes a minha mãe disse que ele era muito bonzinho e hoje sei que ele realmente é muito bom. Nunca conheci um coração tão puro, alguém tão apaixonado pelo que faz, apaixonado por tudo à sua volta. 

Eu nunca conheci um homem como você, pai. 

E espero que eu nunca conheça, quero mantê-lo assim, um ser único no meio da multidão de pessoas iguais e mesquinhas. 

Obrigada por deixar que eu herdasse isso de você, a fé nos sonhos, em algo melhor para mim e para nós. Para nós dois, sempre. Obrigada pelos sermões cheios de amor que você me deu várias vezes, pela forma como já deixou que eu chorasse no seu peito quando eu sofri por algum motivo banal. Obrigada por entender que por menor que fosse o meu problema naquele momento, eu precisava do seu colo durante o meu drama homérico. Obrigada por se desdobrar para não precisar me dizer 'não' e obrigada por me mostrar que eu preciso valorizar o que faço e acima de disso, amar. 

Eu continuo enchendo a boca para dizer que sou sua filha e continuo tendo o maior orgulho do mundo de ter um homem como você para chamar de pai. Vamos combinar um dia desses de ouvir umas músicas? Quero ouvir o seu "do caralho" ao ouvir algum solo do Flea enquanto toca o seu baixo imaginário. O meu super-homem é e sempre foi você.  

2 comentários:

  1. Não sei o que dizer. Minhas lágrimas me cegam e eu só posso dizer do amor que sinto. Beijos, muitos meu amor. ( Sérgio Souto)

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  2. Que pureza...lindo e sincero um amor que não se aquebranta.Amor de Pai e Filha.
    PARABÉNS AOS DOIS.
    MARÍLIA

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