Crônica | Trovador Contemporâneo



Quando ela chegou perto de mim a sensação que tive foi de que eu estava mergulhando numa piscina no Alasca. Seu jeito doce, sua meiguice, seu olhar penetrante e seu modo espontâneo de falar me provocaram furor. Apesar de ter experimentado sensações das mais diferenciadas ao longo da minha vida, nada foi igual àquele dia. A sensação de tentar algo novo é sempre incrível, mas com ela foi diferente. Foi melhor, pra dizer a verdade. Seu sabor era doce, mas ao mesmo tempo arraigado de medo, ansiedade e curiosidade. Acho que no fundo ela também estava sentindo o mesmo que eu. Aos poucos aquele gelo foi quebrado e nos transportávamos silenciosamente às zonas quentes da terra. Resolvi dar o pontapé inicial, e tive a certeza de que os homens ficam um pouco bobos ao se encontrarem com a mulher pretendida. No fundo, acho que faz parte da natureza medieval humana. Nós homens ainda carregamos lembranças genéticas do das cantigas de amor do trovadorismo, em minha opinião. 

De forma súbita, quando seus lábios se encostaram aos meus tudo aquilo se dissipou. Era como se eu estivesse viajando pelo lugar mais aconchegante e precioso do mundo. Éramos apenas um ser envolvido no movimento suave do beijo. Com todo cuidado, conhecíamos melhor um pouco um do outro e saboreávamos a companhia de estarmos juntos. Chegávamos a um verdadeiro gêiser, tal qual turistas em Yellowstone. No entanto, o vapor e a água quente que emanavam era de nosso próprio instinto. Bom mesmo seria se aquele momento nunca acabasse. Mas acabou. 

Fomos surpreendidos pela chegada de alguém que iria buscá-la. Prometemos mandar whatsapp um ao outro e combinar nosso próximo encontro. Aguardo o cumprimento desta promessa até hoje.


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