Crônica | O pouco que aprendi até os 20

Foto: Reprodução/ Tumblr

Sempre gostei de números redondos. Não entendia a obsessão com os 18 anos, de forma que chegar a maioridade não foi tão interessante como parecia. Não conseguia entender também o deslumbre com os famosos 15 anos, merecendo até mesmo festas ou viagens caras. Mas de certa forma, minha satisfação com números redondos me fez gostar de fazer 20 anos. E assim que soprei as velas do bolo, consegui pensar no pouquinho que aprendi nestes anos.

Olhando para mim mesma vejo como o tempo passou rápido e foi caridoso comigo. Eu ainda sou a mesma pessoa que eu era quando eu tinha 15 anos – sim, os famosos – mas a minha visão de como as coisas acontecem, ah, elas mudaram completamente. Os lugares, as pessoas, valores. Meus medos mudaram, se tornaram palpáveis e reais. Meus sonhos agora são realizações que dependem – exclusivamente – da minha vontade e disposição. O famoso “tirar a bunda da cadeira”, sabe? Mas talvez tenha sido sempre assim, eu quem só percebi agora.

Meus 20 anos me trouxeram um pouco mais de coragem. Consigo ter coragem para mim mesma e o pouco que sobra, empresto aos amigos que precisam. A coragem que hoje cresce em mim, é resultado – direto e certo – de todos os medos e monstros que consegui destruir dentro de mim. Valorizo meu tempo. Gosto de ter um tempo só para mim, e gosto que – agora – , ele seja maior para mim do que para os outros. Eu preciso disso.

Evito pessoas. Na verdade, evito algumas pessoas. Pessoas vazias não conseguem se preencher e tampouco podem trazer algo para mim. Então eu as evito. É bem simples. Eu não sei me misturar, e isso não é uma limitação, isso faz com que meus amigos – poucos – me entendam melhor. Eu gosto dos meus poucos, o muito me incomoda.

Aprendi a confiar nos homens. Descobri que a velha lenda de que “homens não prestam” foi inventada por mulheres as quais, hoje, eu não consigo confiar. Homens prestam sim, e mulheres também, assim como o contrário também acontece. Há uma ligação de personalidade e valores ligado a tudo isso. É muito melhor ser amiga dos caras, acredite em mim.

Meus vinte anos me fizeram dar valor na minha família. O mundo me fez acreditar que as pessoas que te amam e que a sua família, são sim a coisa mais importante da sua vida. Nem sempre eles nos dizem o que queremos ouvir, mas dizem com tanto amor e cuidado, que depois de ouvir o mundo lá fora, tudo o que quero as vezes é ouvir um sermão de mãe ao chegar em casa.

Aprendi que a gente se confunde. Meu Deus, e como! Não era amor, não era amizade, não era paixão, não era sonho, não era fome. Eu me confundi tanto, ainda me confundo.

Hoje eu quero viajar o mundo de mãos entrelaçadas a alguém e com seus olhos junto aos meus enquanto procuramos, talvez mesmo sem saber, o mesmo caminho. Quero continuar me sentindo feliz pelo simples da vida, por coisas banais, coincidências, acasos, descobertas. Quero uma nova estante de livros, os meus preferidos – que já li várias vezes – e os que ainda não li. Quero dias de chuva e sol. Um beijo de despedida e no outro dia, um de boa noite. Quero o caminho simples, nem sempre o mais fácil, para aprender um pouco nos próximos – muitos – anos.

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