20 de julho de 2017

Livro | Deuses Americanos (Neil Gaiman)



Publicado originalmente em 2001 e no Brasil em 2002 pela Editora Conrad, Deuses Americanos é mais uma obra sobre cultura nórdica do escritor e roteirista americano Neil Gaiman. Me interessei pela leitura quando comecei a assistir a série do livro, que em breve vai ter uma crítica sobre a primeira temporada por aqui no blog. Para quem não assistiu, a primeira temporada teve apenas dez episódios e foi encomendada pelo canal Starz.
Então vamos ao livro. A história começa quando somos apresentados ao personagem principal, Shadow, um cara que está preso com uma sentença de 7 anos, que foi reduzida a 3 por bom comportamento, tempo exato em que ele está quando a história tem início. Com apenas três dias faltando para sua soltura, Shadow é liberado antes e vê toda a sua vida do avesso ao perder a esposa, melhor amigo e emprego. Com esse pontapé ele conhece Wednesday, um senhor que lhe oferece emprego. Eles viajam de carro por toda a América, tentando convencer diferentes pessoas a se juntar à causa de Wednesday. Parece superficial explicando assim mas eu quero evitar os spoilers e acredite, cada pequena informação sobre essa história é um spoiler diferente. 

Vamos ao spoiler sutil da história para que eu consiga encaixar a parte nórdica nessa resenha. Você lembra do senhor que ofereceu o emprego ao Shadow? Você se lembra que o nome deste senhor era Wednesday? Bem, se você ainda não conseguiu encaixar as coisas eu vou dar outra dica. Este senhor tem um olho de verdade e outro de vidro e sim, ele é um deus. Ainda não conseguiu adivinhar? Então corre e compra o livro porque não quero diminuir a experiência de ninguém por aqui! 
Existem novos deuses crescendo nos Estados Unidos, apoiando-se em laços cada vez maiores de crenças: deuses de cartão de crédito e de auto-estrada, de internet e de telefone, de rádio, de hospital e de televisão, deuses de plástico, de bipe e de néon. Deuses orgulhosos, gordos e tolos, inchados por sua própria novidade e por sua própria importância. Eles sabem da nossa existência e tem medo de nós, e nos odeiam. Vocês estão se enganando se acreditam que não. Eles vão nos destruir, se puderem. É hora de a gente se agrupar. É hora de agir.
A viagem de carro pela América tem como objetivo salvar os deuses, aqueles que conhecemos pela mitologia. Mas com a mudança dos tempos, novos deuses foram criados, deuses das celebridades, tecnologias, televisão e até do mercado de ações, os novos deuses americanos. Assim, durante a viagem, Shadow e Wednesday estão recrutando deuses para uma guerra entre os deuses antigos e os novos deuses. 

Este é ponto onde o livro se faz um pouco difícil de ler. Há referências demais de deuses, nórdicos, celtas, egípcios, do oeste africano, caribenho, entre outros que infelizmente não costumamos ter tanto conhecimento. Muitos dos deuses conseguimos supor pelas características ou por pesquisas, o que faz com que a leitura do livro seja mais complicada. Essa foi uma das partes que manteve minha atenção porque vemos a quantidade de pesquisa, conhecimento e informação contida em uma obra.
Tudo bem. Boa pergunta. Eu sou a caixa dos idiotas. Sou a TV. Eu sou o olho que vê tudo e sou o mundo do raio catódico. Eu sou o tubo dos tolos… o pequeno altar na frente do qual a família se reúne para adorar. (...) A TV é o altar. Eu sou aquilo pelo que as pessoas se sacrificam. (...) O tempo que tem. Às vezes, umas às outras…
 Esteja disposto a acreditar. É isso o vai prender sua atenção durante esse livro completo e cheio de informações. Aproveite a pausa da série para a leitura, apenas 1/5 do livro foi feito na primeira temporada então ainda há muito material para ser utilizado. Deuses Americanos é uma obra de reflexão, histórica e ficcional onde Gaiman, mais uma vez, nos entrega um trabalho impecável.

Netflix | O mínimo para viver (2017)



SINOPSE: Uma jovem (Lily Collins) está lidando com um problema que afeta muitos jovens no mundo: a anorexia. Sem perspectivas de se livrar da doença e ter uma vida feliz e saudável, a moça passa os dias sem esperança. Porém, quando ela encontra um médico (Keanu Reeves) não convencional que a desafia a enfrentar sua condição e abraçar a vida, tudo pode mudar.

Antes de tudo acho importante deixar um aviso sobre gatilhos tanto no texto quanto no filme, já que o assunto tratado é anorexia e problemas alimentares. O filme será analisado apenas com uma visão de espectador, sem opiniões técnicas sobre o problema ou comentários do gênero. 
Depois da polêmica gerada por 13 Reasons Why, a Netflix produziu agora To The Bone ou O Mínimo Para Viver, na tradução. Escrito e dirigido por Marti Noxon, a história tem início quando conhecemos Ellen, personagens vivida por Lily Collins, que sofre de anorexia e tem sua vida com dias contados devido a doença. Quando ela conhece o Dr. William Beckham (Keanu Reeves), sua perspectiva sobre a doença e sobre a vida começam a mudar um pouco já que seus métodos de tratamento são diferentes dos tradicionais. 

O filme foi atingido por críticos por estar romantizando e glamorizando a doença, mas eu não consegui observar desta forma. Durante o filme, Ellen conhece um grupo de apoio onde outras pessoas que sofrem com anorexia também estão buscando ajuda. Lily teve que perder 10kg para a produção do filme e mesmo cheio de comentários negativos sobre isso na internet, temos diferentes personagens durante o longa para mostrar a doença, vemos homens, corpos magros, gordos, medianos e uma garota que sofre de bulimia, assim, a figura magra de Lily Collins para o papel não precisa ser problematizada, já que este não é o ponto principal da história e sim a doença. A personagem de Lily tem um segmento dentro da doença assim como outros personagens mostram outros lados. 

Passamos a maior parte do filme observando a personagem principal. Isso me incomodou um pouco porque não conseguimos entrar na cabeça do personagem, como ela pensa, o que pensa e pontos de questionamentos. Na maior parte do longa, Ellen está acompanhada, então o que observamos da personagem é raso em relação a doença. Mesmo assim a produção pode ser um gatilho e isso precisa ser observado primeiramente pelo espectador. A Netflix - assim como fez em 13 Reasons Why - insere um disclaimer no início deixando claro que o assunto tratado é forte e importante. Se você tem um transtorno ou sabe que o tema não te fará bem, não aconselho o filme, que é forte ao retratar a doença. 

Mais uma vez a Netflix produz de forma competente uma obra sobre um assunto que é tabu. É de extrema importância que isso seja sempre tratado para que assuntos importantes não percam a visão. Seja suicídio, bullying, alimentação ou distúrbios, é preciso falar sobre isso, conversar e retratar. Mais um ponto para a Netflix

4 de junho de 2017

Crônica | Nada

Eu não sinto nada. 

Absolutamente nada. 

Talvez uma agonia pesada no peito mas é tão distante do que eu gostaria de estar sentindo que sequer me sinto confortável para dizer algo. E além do mais, tenho quase certeza de que minhas palavras já acabaram. Em repetições intensas e cansativas, cada sílaba se gastou, se despediu dos meus lábios. Assim como você. 

Eu costumava acreditar em tanta coisa. Tanta história, tanta promessa, tantas datas, vários dias. Eu acreditava e lembrava em flashes constantes, como se eu precisasse a todo custo me manter atenta em tudo aquilo. Eu mal me lembro de metade dessas coisas hoje. Eu mal me lembro de grande parte do que eu jurava ser eterno. Eu mal me lembro de nós dois. 

Por muito tempo eu quis gritar com você, pedir que você dissesse que me amava a cada segundo, pedir que me olhasse diferente mas agora eu quero simplesmente que você perceba. É, que só perceba. Sei que se, mesmo por minutos, você puder fazer isso, vai entender e respirar um pouco mais pesado ao ver o que foi que aconteceu. Teve aquilo, e depois aquela outra coisa, e então vieram várias destas outras coisas para encherem mais ainda o nosso espaço. Encher, entupir cada veia, cada espaço pequeno que estava muito bem guardado. 

Eu queria ser um pouco mais como você. Solto, leve, o mais próximo do espírito de uma criança no corpo de um homem que eu já pude conhecer. Não me entenda mal, estou me referindo ao seu lado criança como o lado que eu realmente gosto. O homem emburrado e irritado não gosta tanto de mim quanto a criança que adora um chocolate. Eu sempre adorei um chocolate também. 

E eu ainda amo você como eu amo chocolate, ainda adoro o seu jeito como eu sempre adorei a criança aí dentro. Ainda tenho espaços guardados que não foram invadidos por todas aquelas coisas, ainda tenho alguns olhares, eu tenho os dias, as datas, as histórias. Mas eu não tenho mais você por completo. E é isso que falta. 


15 de maio de 2017

Filmes | 'Alien: Covenant' e a franquia 'Alien'





Lá em 1979 foi lançado o primeiro filme da franquia Alien. 'Alien, O Oitavo Passageiro', foi o pontapé inicial para uma jornada enorme de sci-fi com a personagem Ellen Ripley, interpretada por Sigourney Weaver, um símbolo entre as personagens femininas fortes. Conhecemos cada pedaço deste universo e até os pontos fracos desses bichos estranhos e gosmentos. O filme de 79 foi dirigido por Ridley Scott, assim como posteriormente Prometheus (2012) e Alien: Covenant (2017). Na última semana assistir Alien: Covenant no Ibicinemas e decidi que não faria uma crítica e sim, falaria um pouco de forma geral da franquia e só no final uma observação pequena. 
Este post NÃO CONTÉM spoilers sobre o filme Alien: Covenant. TALVEZ algumas informações dos filmes anteriores sejam consideradas spoiler. Então senta que lá vem textão! 



Para entender melhor a história, o mais interessante é seguir a ordem cronológica dos fatos. Assim como aconteceu com Star Wars, os produtores resolveram usar filmes novos para explicar o que aconteceu antes.  
  • Prometheus (2012)
  • Alien: Covenant (2017)
  • Alien, o Oitavo Passageiro (1979)
  • Aliens, O Resgate (1986) 
  • Alien 3 (1992) 
  • Alien - A Ressurreição (1997) 
Vou falar deles na ordem cronológica para que não estrague a compreensão dos fatos.
Começamos por Prometheus, dirigido por Ridley Scott, com Michael FassbenderCharlize Theron no elenco. Ambientado em 2089, o filme puxa uma temática mais criacionista. Através de desenhos dos antepassados, um grupo de cientistas, antropologistas acreditam que somos criação de seres superiores, gigantes, engenheiros. Então lançam a nave Prometheus, derivada Prometheus do mito sobre um Titã, uma raça de gigantes que convivia com os deuses. São os humanos indo atrás de 'seu' deus. Fassbender é David, um android que tem a ambição de parecer com os humanos, com seu criador. Nessa ambição, David se torna mal e acaba mudando todo o ritmo da história e dando o pulo inicial para o Alien: Covenant
Roteiro começa interessante mas se perde ao colocar questionamentos demais. A discussão sobre a fé não é bem desenvolvida e a explicação excessiva atrapalha o clima do filme. A mensagem muda e em um certo ponto do roteiro e nos deixa confuso se todos são considerados completos incompetentes. Detalhes referenciais à franquia original são importante, explicam sobre o Space Jockey, que aparece pela primeira vez lá em 1979 e agora entendemos do que se trata exatamente, amarrando as histórias. A ficção, fantasia e a fotografia - que retrata muito bem a imensidão, os planetas, as pirâmides e a frieza - são os melhores pontos sobre o filme, que é cheio de falhas. 

Assim como na franquia clássica, Scott resolveu manter a continuidade dos filmes e Alien: Covenant começa onde Prometheus termina, com alguns anos de diferença. Estamos na nave Covenant agora, em uma nave de colonização cheia de vidas e embriões além de uma equipe encarregada. Fassbender agora é Walter, novamente um android, mas também é David, aquele lá de Prometheus. Isso tinha uma grande chance de ser péssimo mas ficou realmente bom já que temos um atorzão da por** aqui. Assim como David é o protagonista, Daniels interpretada por Katherine Waterston (Animais Fantásticos e Onde Habitam) também é, além de ser a personagem feminina forte da vez. Walter é uma versão melhorada de David, com alguns aspectos humanos a menos e a racionalidade mais aflorada. Entendemos a origem dos alien e sua genética, o que não abre muito nossos horizontes sobre a franquia e sim cria um compilado de explicações. 
A linha criacionista é novamente o rumo do filme, que tem claras referências de 'Eram Os Deus Astronautas?', livro de 1968 escrito por Erich von Däniken. Ridley Scott continua com roteiros lentos que - neste caso - deixa o filme um mais difícil de ver. O debate sobre criação e vida não é bem feito já que os furos do roteiro deixam o tema completamente perdido em alguns momentos. A fotografia é incrível como Scott realmente sabe fazer, com enquadramentos muito bonitos. Esqueça Alien e fique mais preso à Prometheus, já que é isso que vai ser entregue à você. 

Ridley Scott dirigiu também Alien, o Oitavo Passageiro, grupo de mineradores que vão andando em planetas e buscam esse minério. Conhecemos a tripulação, somos introduzidos aos hábitos no espaço e principalmente, acompanhamos Ellen Ripley (Sigourney Weaver). A história acontece muito rapidamente e o clima de tensão é criado logo nos primeiros minutos. Durante um sono criogênico, os tripulantes são acordados por uma emergência e quando isso acontece, temos o primeiro - na época - contato com o xenomorfo, que é um parasita que mistura seu DNA com o DNA do hospedeiro, então sua forma é bem diferente dependendo de quem foi atacado. Essa mistura de DNA acontece quando o Facehugger insere o embrião do xenomorfo em outro organismo. Esse embrião sai e se torna um Chestbuster que no decorrer de sua evolução se transforma no Alien que conhecemos. Temos um filme sobre questão de sobrevivência, onde os mineradores perdem o controle do que acontece dentro de uma nave comercial. O filme mantém o clima de suspense, expectativa e claustrofobia, sendo a trilha sonora muito importante nesse ponto. É importante notar o impacto da personagem Ellen, que em 1979 foi a figura feminina mais importante por tratar de uma mulher forte, inteligente e completamente capaz de fazer o que quiser. Eis aqui o meu filme favorito da franquia. 

Aliens, o Resgate veio em 1986 quase 10 anos depois do primeiro. James Cameron toma conta agora do filme abre porta para um clima de um pouco mais de ação e menos de suspense. 57 anos depois do primeiro filme Ripley é resgatada e começam a investigar o que aconteceu, já que toda a equipe na empresa não acredita na história que ela conta, acreditando que isso é impossível pois conseguiram colonizar a lua e nunca ninguém contou nada parecido. 
Quando o contato com os colonos começa a ficar escasso, chamam Ripley e uma tripulação, as Tropas Coloniais, para descobrirem o que aconteceu. Ao chegar, a tripulação descobre que os alien - agora plural - são muitos, já que usaram os colonos para reprodução. Uma garotinha é a única sobrevivente e é daí o nome do filme. Ripley se mostra uma mulher cada vez mais forte e inteligente em meio à uma tripulação tola e até mesmo um pouco burra. As cenas são muito bonitas e infelizmente ficaram datadas depois de tantos anos e com uma evolução tão grande da computação gráfica. O ponto adicional deste filme é a descoberta de que há uma 'Rainha', uma alien-mãe, que coloca os ovos onde os Facehugger são criados. Uma das viradas na história ocorrem exatamente por isso, assim como a virada final, a carga emocional desse filme e o roteiro do próximo.

Alien 3 é de 92 e dirigido por David Fincher - que você provavelmente conhece por Clube da Luta (1999). O filme começa exatamente onde Aliens, o Resgate acaba. Ripley vai parar em uma prisão de segurança máxima, que também é administrada pelo Peter Weyland que nós vimos lá em Prometheus, lembra? Ela é encontrada na praia quando sua nave cai depois de um curto circuito causado pelo sangue de um ovo de Facehugger, e então é encontrada nesse planeta prisão. A ambientação é bem suja mas os efeitos digitais são os piores da franquia original, assim como alguns furos no roteiro. Ripley descobre que há um hospedeiro com ela e é aí que tudo fica mais comercial e somos entregues ao interesse governamental. A trama continua claustrofóbica e com um volume de cenas violentas ainda maior já que a prisão tem apenas assassinos e estupradores. Mesmo sendo o filme com cenas mais pesadas, algumas cenas foram cortadas pela época. Perdemos Ripley neste filme, já que ela estava com uma Rainha dentro de si e acaba escolhendo se jogar em metal quente para que não sejam feitas pesquisas sobre o desenvolvimentos dos aliens. Adianta? Not that much. 

Pelo nome do último filme da franquia clássica você pode imaginar o que aconteceu, certo? Alien, a Ressurreição volta com todos esses bichos nojentos e agora somos introduzidos à clonagem. Através de amostras de sangue, cientistas clonam Ripley, o que sai um pouco diferente do esperado quando percebem que o clone adquiriu características genéticas dos aliens como força e sangue ácido. A geração nova dos aliens são muito mais inteligentes que as anteriores mas os cientistas não estavam preparados para isso. O filme é tão fraco quanto o Alien 3 e o roteiro é cheio de furos e ligações absurdas. Os efeitos são práticos e as cenas são mais violentas, o que não quer dizer que são boas cenas. A sequência é fraca e não acrescenta muito à franquia clássica. Ainda temos aliens, androids, naves explodindo, planetas salvos e híbridos. Se você quiser parar de ver no segundo, eu entendo! 


14 de maio de 2017

Livros | Exorcismo (Darkside Books)





Se você acompanha o blog já viu várias reviews de livros da editora DarkSide aqui e eu vou explicar: sou apaixonada pela estética e pelo cuidado visual que eles têm pelas edições. Assim como fiz com Psicose, Demologista e Ed & Lorraine Warren, trouxe Exorcismo para uma resenha rapidinha. O livro foi escrito pelo jornalista Thomas B. Allen, que reuniu dados e entrevistas sobre um exorcismo que aconteceu. Este livro foi a base para o livro 'O Exorcista' de William Peter Blatty, que inspirou o filme de 1974. Ou seja, inspirado em fatos MESMO.

O livro de Allen é como um diário de um dos padres, todos os personagens e seus nomes foram mudados para garantir a integridade. Na história original, o exorcismo aconteceu com um garoto, que aqui chamamos de Robbie. Com uma personalidade introspectiva, o garoto mostra interesse por jogos de tabuleiro, o que automaticamente vira uma forma de diversão e algo usado para a família como força de distrair o garoto. Sendo assim, sua tia traz um tabuleiro OUIJA para ele, unindo o gosto do garoto por jogos e seu gosto pelo sobrenatural e pelo espiritismo. E foi aí que começou a dar tudo errado! A Darkside colocou um tabuleiro no livro, muito bem representado e fiel. 



Como em todo enredo de terror, barulhos e coisas inexplicáveis começam a acontecer e soluções racionais não funcionam. A tia do garoto - aquela mesmo, que deu o tal tabuleiro - morre assim que os acontecimentos começam e aí é que tudo piora mesmo. Se você for tão medrosa(o) como eu, melhor ler só de manhã, tá? Algumas cenas dão um medinho porque as cenas são muito bem narradas, você fica realmente apreensivo e angustiado ao ler cada capítulo. A tábua entra novamente na história depois de um tempo, já que a família do garoto acha que a Tia de Robbie está tentando entrar em contato. Será? 

No final da história você encontra o diário do padre, com alguns detalhes a mais e até referências que o autor usou para fazer o livro. Se você acredita ser verdade ou não, vai de sua crença e no que você está disposto a acreditar. É uma leitura rápida e pode ser até mesmo interessante. Mais uma edição da Darkside que merece ser lida. Mas ó, deixa a luz acesa! 



Crítica | A Autópsia (2016)




Lançado nos Estados Unidos em Dezembro do ano passado, 'A Autópsia' ou 'The Autopsy of Jane Doechegou aqui no Brasil em 23 de Março e fomos correndo conferir no Ibicinemas. Dirigido por André Ovredal, o filme foi definido como mistério/thriller e cabe muito bem nessa categoria. Fui ao cinema com a expectativa baixíssima mas acabei me surpreendendo com o filme. Se você viu o trailer e não apostou tanto, confie em mim, vale a pena sim! O resultado final e todos os questionamentos os quais você será levado vai valer cada segundo e centavo. 
Tommy Tilden (Brian Cox) e Austin Tilden (Emile Hirsch), seu filho, são os responsáveis por comandar o necrotério de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos. Os trabalhos que recebem costumam ser muito tranquilos por causa da natureza pacata da cidade, mas, certo dia, o xerife local (Michael McElhatton) traz um caso complicado: uma mulher desconhecida foi encontrada morta nos arredores da cidade - "Jane Doe", no jargão americano. Conforme pai e filho tentam descobrir a identidade da mulher morta, coisas estranhas e perigosas começam a ocorrer, colocando a vida dos dois em perigo.
Começamos em uma cena de crime, onde aparentemente todos que ali viviam foram brutalmente assassinados. O Xerife acaba encontrando um corpo desconhecido, a tal Jane Doe, e então é aí que somos apresentamentos aos personagens principais, Tony e Austin interpretados por Brian Cox e Emile Hirsch, que fazem pai e filho - respectivamente - responsáveis por um necrotério. A química entregue pelos dois é crível e um ponto muito importante para o desenvolvimento da narrativa já que este laço entre eles será posto a prova várias vezes. A dinâmica do dueto é muito bem feita. 

O caso da Jane Doe é entregue à Tony e Austin e entramos em um compilado de cenas muito bem feitas de autópsia do corpo humano. Um ponto muito importante para a maquiagem já que é tudo absurdamente crível e até mesmo agoniante. O filme encaixa informações importantes sobre o corpo humano sem parecer um documentário chato sobre anatomia humana. Durante os primeiros quarenta minutos, ficamos amassados na cadeira esperando um sinal - o menor que seja - sobre o que vai acontecer. 

A trilha é íntima e importantíssima, principalmente se tratando de um filme de suspense. Cada detalhe do som é muito bem tratado e te deixa vidrado na tela. Ovredal utiliza jumpscare em uma quantidade aceitável, única ponto fraco é a forma como estamos sempre preparados para uma cena clichê de susto. A história leva todo o filme então o roteiro contém poucos furos. A ambientação e as cores frias se encarregam de dar um ar ainda mais sombrio à história. O filme cai um pouco no desfecho já que o mistério foi resolvido e você precisa apenas de um fim no roteiro, e é aí que vejo uma falha pois tudo é muito rápido e raso. 

Para mim, um dos melhores filmes de 2017 - aqui no Brasil. Se você é sensível ao conteúdo em termos de autópsia, é melhor pensar um pouco antes de assistir, mas te garanto que vale muito a pena. É realmente surpreendente e gostoso de assistir. Se você está aqui em Montes Claros, corre no Ibicinemas para assistir porque é realmente MUITO BOM! 


2 de maio de 2017

Análise | Geni e o Zepelim - Chico Buarque




Se me pedissem para eleger as melhores músicas brasileiras de todos os tempos eu certamente colocaria Geni e o Zepelim entre as primeiras da lista. Já falei várias vezes que todas as pessoas, independente da idade, deveriam, ao menos uma vez na vida, ter a experiência de ouvir essa joia da MPB e fazer uma reflexão acerca de tudo que ela representou em seu lançamento e representa até hoje.

É incontestável que Chico Buarque é um dos maiores compositores brasileiros. Em 1978 ele lança o musical Ópera do Malandro e dentre as belas composições dessa obra está Geni e o Zepelim. A canção nos apresenta a história de Geni, uma prostituta e travesti que sofre constantemente com o preconceito e o ódio dos moradores da cidade. Os versos da música são muito bem rimados e dão a ela uma sonoridade marcante e inconfundível. Para uma análise completa, a música será dividida em quatro partes.

Parte 1: Quem é Geni?

De tudo que é nego torto​ 
Do mangue e do cais do porto​ 
Ela já foi namorada​ 
O seu corpo é dos errantes​ 
Dos cegos, dos retirantes​ 
É de quem não tem mais nada

Dá-se assim desde menina​ 
Na garagem, na cantina​ 
Atrás do tanque, no mato​ 
É a rainha dos detentos​ 
Das loucas, dos lazarentos​ 
Dos moleques do internato

E também vai amiúde​ 
Com os velhinhos sem saúde​ 
E as viúvas sem porvir​ 
Ela é um poço de bondade​ 
E é por isso que a cidade​ 
Vive sempre a repetir

Joga pedra na Geni!​ 
Joga pedra na Geni!​ 
Ela é feita pra apanhar!​ 
Ela é boa de cuspir!​ 
Ela dá pra qualquer um!​ 
Maldita Geni!

Aqui temos uma breve apresentação da personagem Geni. Ela, que namorava dos errantes aos velhinhos sem saúde, ficava com eles em qualquer lugar “Na garagem, na cantina / Atrás do tanque, no mato”. Era considerada “a rainha dos detentos / Das loucas, dos lazarentos / Dos moleques do internato”. O fim dessa primeira parte mostra péssima relação dos moradores da cidade com Geni. No refrão, que se fixa na cabeça do ouvinte, observa-se o peso do preconceito e do retrocesso social. A Ópera do malandro foi lançada em 1978, quase dois milênios após a história bíblica de Maria Madalena que foi salva do apedrejamento por Jesus Cristo. Apesar dos tantos anos que separam essas histórias, a cidade “vive sempre a repetir / Joga pedra na Geni!”. A música deixa claro que Geni era uma garota de programa, entretanto não é possível inferir da letra que ela era uma travesti. Isso porque essa informação é apresentada em outros momentos no musical.

Parte 2: O Zepelim e o Comandante

Um dia surgiu, brilhante​ 
Entre as nuvens, flutuante​ 
Um enorme zepelim​ 
Pairou sobre os edifícios​ 
Abriu dois mil orifícios​ 
Com dois mil canhões assim

A cidade apavorada​ 
Se quedou paralisada​ 
Pronta pra virar geleia​ 
Mas do zepelim gigante​ 
Desceu o seu comandante​ 
Dizendo: "Mudei de ideia!"

Quando vi nesta cidade​ 
Tanto horror e iniquidade​ 
Resolvi tudo explodir​ 
Mas posso evitar o drama​ 
Se aquela formosa dama​ 
Esta noite me servir

Essa dama era Geni!​ 
Mas não pode ser Geni!​ 
Ela é feita pra apanhar​ 
Ela é boa de cuspir​ 
Ela dá pra qualquer um​ 
Maldita Geni!

Aparece um novo personagem na história, o comandante do zepelim. Zepelim é um balão dirigível muito usado em guerras para bombardeios. Quando ele apareceu no céu, a cidade se apavorou. Dele então desce o poderoso comandante chocando todos daquele lugar dizendo que iria poupar a população “Se aquela formosa dama” o servisse. E essa dama era ninguém menos que a prostituta Geni. O refrão mostra a surpresa e incredulidade da população “Mas não pode ser Geni!”. Como poderia alguém tão odiável como Geni ter conquistado o coração do comandante?

Parte 3: A Redenção da População?

Mas de fato, logo ela​ 
Tão coitada e tão singela​ 
Cativara o forasteiro​ 
O guerreiro tão vistoso​ 
Tão temido e poderoso​ 
Era dela, prisioneiro

Acontece que a donzela​ 
(E isso era segredo dela)​ 
Também tinha seus caprichos​ 
E ao deitar com homem tão nobre​ 
Tão cheirando a brilho e a cobre​ 
Preferia amar com os bichos

Ao ouvir tal heresia​ 
A cidade em romaria​ 
Foi beijar a sua mão​ 
O prefeito de joelhos​ 
O bispo de olhos vermelhos​ 
E o banqueiro com um milhão

Vai com ele, vai, Geni!​ 
Vai com ele, vai, Geni!​ 
Você pode nos salvar​ 
Você vai nos redimir​ 
Você dá pra qualquer um​ 
Bendita Geni!

Tantas moças na cidade, mas nenhuma delas, só Geni, cativara o forasteiro. Agora ela tinha em suas mãos o poder de salvar ou não aquela cidade que tanto a maltratava. A segunda estrofe dessa terceira parte diz que apesar de ser garota de programa, Geni “Também tinha seus caprichos” e preferia deitar-se com os bichos do que se entregar ao comandante. A cidade mediante a essa situação envia representante de três poderes para clamar salvação a Geni: o prefeito de joelhos, o bispo chorando e o banqueiro com dinheiro. No refrão, a cidade grita quase em um tom de clemência para que a travesti os salve “Vai com ele, vai, Geni! / Você pode nos salvar / Você vai nos redimir”. E para finalizar, a antes maldita, agora se tornara bendita Geni.

Parte 4: A Decisão de Geni

Foram tantos os pedidos​ 
Tão sinceros, tão sentidos​ 
Que ela dominou seu asco​ 
Nessa noite lancinante​ 
Entregou-se a tal amante​ 
Como quem dá-se ao carrasco 

Ele fez tanta sujeira​ 
Lambuzou-se a noite inteira​ 
Até ficar saciado​ 
E nem bem amanhecia​ 
Partiu numa nuvem fria​ 
Com seu zepelim prateado

Num suspiro aliviado​ 
Ela se virou de lado​ 
E tentou até sorrir​ 
Mas logo raiou o dia​ 
E a cidade em cantoria​ 
Não deixou ela dormir 

Joga pedra na Geni!​ 
Joga bosta na Geni!​ 
Ela é feita pra apanhar!​ 
Ela é boa de cuspir!​ 
Ela dá pra qualquer um!​ 
Maldita Geni!

Geni cede aos pedidos da população, domina seu asco e dá-se ao comandante. Ele, após usar e abusar dela durante toda a noite, vai embora da cidade. Geni, vendo a benfeitoria que havia feito para salvar aqueles que a odiavam, tenta até sorrir numa expectativa de que tudo a partir dali mudaria e ela passaria a ser bem tratada. Mas assim que raiou o dia, a cidade sequer a deixou dormir gritando “Joga pedra na Geni! / Joga bosta na Geni!”. 

É impossível não se sensibilizar com essa história. Chico Buarque, com muita inteligência, conseguiu em uma única canção abordar vários problemas sociais. O primeiro e mais evidente é o preconceito, nesse caso, em relação à profissão e à orientação sexual. O segundo é a hipocrisia social. Quando souberam que Geni era a única que poderia os salvar, a cidade em peso voltou-se para ela tentando se redimir de todas as atrocidades que cometeram contra a moça. Contudo, bastou o problema ser resolvido que o ódio e a intolerância voltaram a tomar conta da mente daquele povo. Ao fim dessa análise ficam algumas reflexões. Quão distante essa sociedade que Chico mostrou está da nossa atual sociedade? Nós colaboramos com essa sociedade da intolerância? Quantas Genis já jogamos pedras?

5 de abril de 2017

Seriados | Os 13 Porquês



Quando o livro 'Os 13 Porquês' foi lançado lá em 2007 eu tinha 11 anos e não consegui terminar o livro porque achei a temática chata, acabei abandonando. Hoje, assistindo a série, eu vejo que muita coisa na minha vida seria diferente se eu tivesse continuado aquelas páginas. Assim como tenho feito nas últimas críticas e resenhas, este texto vai muito além de uma visão rasa do seriado. Vou entregar a a minha opinião não só sobre o que vi, mas sobre o que senti e absorvi. 
Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker - uma colega de classe e antiga paquera -, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.
Escrito por Jay Asher, 'Os 13 Porquês' é um chute no estômago. No seu, no meu, no de todo mundo. Antes de sentar a assistir a série você precisa saber que talvez ela não seja para você, talvez você não esteja em um bom momento para o que ela vai te apresentar. Dirigido por Tom McCarthy, a série contou com outros sete produtores, entre eles a atriz Selena Gomez. Com 13 episódios de até 50 minutos, a série foi lançada no dia 31 de Março e rapidamente se espalhou pela internet como uma epidemia. Todos estavam falando sobre Hannah. O elenco cheio de atores novos, sustenta bem a série e entrega personagens muito bem marcados, você já prevê o que algum deles são capazes de fazer. Os sentimentos são passados com sinceridade e os diálogos são bem reais. Se, depois de ler esse texto inteiro, você ainda quiser assistir a série, aproveite! Vale a pena SIM.

Primeiro, vamos falar sobre gatilho. Se você sofre de depressão ou algum outro problema psicológico mental, eu recomendo que você conheça seus limites. A série trata de depressão, estupro, suicídio, bullying. A mente humana é complexa demais mas eu tenho certeza que você conhece seu próprio limite emocional. Não force para assistir uma série, infelizmente, se você tem pensamentos suicidas ou está tratando de depressão, a série pode ser um problema para você. 

Eu chorei. Chorei muito no decorrer dos episódios. Eu me senti sozinha, suja, culpada e também vítima. Nunca fui vítima de bullying, mas o ensino médio não foi o melhor dos lugares para mim. Eu nunca consegui me encaixar perfeitamente em grupo nenhum e sempre acabava com uma única amiga ou preferia ficar sozinha. Não que isso fosse um problema para mim, eu nunca achei que fosse, mas percebi que nem todos reagem assim. Talvez as outras pessoas que eu observava estarem sozinhas, não queriam estar tão sozinhas assim. E eu nunca ajudei-as. 

Eu senti muito também por vezes que magoei alguém. Por inúmeros motivos eu sei hoje que deveria ter ficado calada e observado as coisas de outra forma. Eu me senti suja quando notei que algumas vezes na minha vida fui um porquê na vida de alguém, me senti pesada quando notei que passei por alguns momentos ruins e que eles ainda me fazem mal, ainda pesam lá no meu inconsciente. A série foi um gatilho pra mim, e foi muito mais difícil terminá-la do que eu imaginei. 

Queria que todos entendessem que a vida do outro vale muito mais do que imaginamos. Queria que minha própria mente entendesse que eu tenho força o bastante em mim para ajudar as pessoas, evitar que elas passem por momento de agonia, oferecer um ombro amigo, oferecer uma mão. Se você chegou até aqui e acha que precisa de ajuda, de alguém para conversar, saiba que eu estou aberta a te ouvir e te ajudar, mesmo que seja de longe. Mas se, por outro lado, você chegou e não acha que se encaixa nos que precisam de um ombro, ajude alguém. 

Mude as estatísticas de jovens que cometem suicídio. Faça algo. Não seja o Clay, não seja a Hannah.


20 de março de 2017

Só mais uma lista #2 | Comida boa

Para comemorar a volta do Masterchef, que eu amo, mas como a maioria das séries de tv, demora uma semana a cada novo episódio, resolvi fazer uma listinha com meus filmes favoritos sobre gastronomia.



Posso começar dizendo que Chef (2014) é uma comédia simples, leve e satisfatória, que apesar de não ter um grande roteiro, te conquista pelo carisma dos personagens e pela good vibe do filme, que mostra um reconhecido head chef, que abandona seu emprego em um restaurante por ter sua liberdade criativa negada, e começa um novo negócio fora da cozinha profissional, aproveitando para estreitar laços familiares negligenciados. Ainda temos ótimas participações de Scarlett Johansson, Robert Downey Jr. e Dustin Hoffman, nesse filme escrito, dirigido e estrelado pelo Jon Favreau, que pra quem não lembra, é o milionário namorado da Mon em Friends haha e também é o diretor de Iron Man 1 e 2. 

Com: Jon Favreau, John Leguizamo e Sofía Vergara.
8/10



Burning Man (2011) é um drama intenso, pesado e confuso a princípio, mas isso é apenas um pouco do que está vivendo Tom, um chef que tenta criar o seu filho de 8 anos, em meio a um caos emocional e relações insignificantes. Esse filme coloca Matthew Goode no limite e ele entrega uma atuação sensacional. Com uma edição incrível e uma fotografia impecável, esse filme transmite um mix de emoções e sentimentos ao longo de todo filme que quebram qualquer coração, não é um filme pra qualquer hora, pelo menos não pra mim que tenho o emocional fraco, mas é um filme que sempre fica melhor a cada vez que assisto. 

Com: Matthew Goode, Bojana Novakovic e Rachel Griffiths. 
9/10



Bella Martha (2011), ou Simplesmente Marta, como é mais conhecido no Brasil, é um filme alemão que mostra Martha, uma chef obcecada e controladora, que não aceita muito bem críticas, tendo sua vida transformada quando a sua sobrinha é obrigada a morar com ela, e no meio dessa turbulência familiar, ela se sente ameaçada no trabalho pela contratação de um chef italiano o qual vai ter que dividir a cozinha. É uma deliciosa comédia romântica/dramática. Delicado, envolvente e crível, da sutileza na descrição dos pratos as belíssimas cenas sem fala, o filme encanta. E pra variar, como em quase todo bom filme estrangeiro, já foi feito um remake não tão bom americano, chamado No Reservations, com a Catherine Zeta-Jones e o Aaron Eckhart, que mesmo sendo pior, vale a pena assistir também. 

Com: Martina Gedeck, Sergio Castellitto e August Zirner. 
9/10



O Brasil é um celeiro de ótimos filmes de comédia dramática, e Estômago é um deles, e um dos melhores. O pobre, ignorante e ingênuo nordestino, Raimundo Nonato, vai para cidade grande (São Paulo) em busca de uma nova vida, o que acontece, graças a sua boa mão na cozinha, lhe dando boas oportunidades, tanto dentro e fora da cadeia. O filme é um paralelo da vida de Nonato, preso e livre, que é traçado ao mesmo tempo que esse estereótipo de bobo vai se quebrando, e o personagem que é interpretado pelo João Miguel, numa atuação excepcional, se mostra uma pessoa diferente da que se esperava dele. Com direção, roteiro e sotaques sensacionais, é com certeza um dos meus filmes nacionais preferidos. 

Com: João Miguel, Fabiula Nascimento e Babu Santana. 
9.2/10

Espero que essa lista dê para matar a sua fome de cinema.​ Pelo menos por hoje.​ Bon appetit! 


16 de março de 2017

Como 'A Bela e a Fera' mudou a minha vida




Lá em 1991 quando 'A Bela e a Fera' foi lançado pela Disney e agora, em 2017, temos o live-action do clássico e junto com a Velox Tickets vou falar um pouco sobre como a história mudou a minha vida. Lá em 91, eu não estava nem nos pensamentos dos meus pais. Nasci 5 anos depois, em 1996, mas, mesmo assim o filme clássico moldou muito do que sou hoje, do que fui por todos os anos depois de ver a animação pela primeira vez. Pode parecer algo tão pequeno para formar algo tão grande como o meu caráter mas, vou explicar um pouco como isso aconteceu. 

Eu nunca me identifiquei muito com as princesas. Achava um pouco monótona a ideia de que um príncipe mudaria por completo a minha vida, e não que o príncipe fosse o problema, adoraria encontrar um, mas eu queria mudar a minha vida por mim mesma. Não me lembro exatamente quando, mas sei que em uma daquelas fitas cor vinho da Disney, eu vi 'A Bela e a Fera'. Como uma garota que, assim como a Bela, morava no interior, eu me sentia exatamente como ela. Eu queria ser ela. Queria o cabelo sem coques ou comprimentos enormes, queria o vestido vermelho, o aconchego do pai e amar a leitura da mesma forma. Ver nas páginas nos livros uma porta para todos os outros lugares do mundo. Lugares que só dependiam de mim mesma. Eu queria que algum dia eu tivesse uma biblioteca inteira! E foi ali, entre o romance e os livros, que tudo começou a tomar um rumo diferente. 

Já tive sim a fase do sonho com o príncipe encantado, quem não? Mas com o passar dos anos, me parecia muito mais interessante encontrar o tal príncipe escondido na fera do que simplesmente ganhar um beijo de um cara montado em um cenário perfeito, um cavalo branco. Eu queria um cara que fosse sincero, que brigasse comigo, que sentisse minha falta, alguém com quem eu pudesse conversar sobre as coisas que eu gosto e acima de tudo, percebesse que amor é liberdade. É sim. E sei reconhecer, que mesmo querendo tanto isso ainda de alguém, ainda demoro para entender como isso funciona. Assim como a Fera também demorou a perceber.

Com o passar do tempo, o filme clássico me parecia cada vez mais real. As coisas não se resolvem simplesmente após um sono profundo, eu queria ir além da cidade pequena onde eu sempre vivi, do conhecimento limitado, do pensamento dos outros. Eu queria mesmo era ser a estranha da aldeia por simplesmente conseguir ver além. Ver além! É sobre isso que é 'A Bela e a Fera', sobre deixar que seu olhar alcance muito mais do externo, sobre amor sincero, sonhos e liberdade. A Bela não precisou de um cara lindo, vestidos, fada madrinha. Ela só queria a sua família, um mundo além das limitações de sua aldeia e um amor leve.

Vejam 'A Bela e Fera'. Esqueçam as críticas e qualquer tipo de comentário preconceituoso. O filme é exatamente como a animação de 1991 e eu tenho certeza que você vai se pegar cantarolando uma música ou outra. Entre na história, deixe seu coração voltar à infância. Você se lembra as coisas que desejava quando era criança? Aquela criança teria orgulho de você hoje? Vai lá, mergulha na história por duas horinhas, deixe seu coração ficar cheio da mensagem linda por trás do filme. Corre! 





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